O fechamento de prontos-socorros por superlotação é uma triste rotina dos hospitais londrinenses. As autoridades do setor apontam a falta de uma triagem mais eficiente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) como principal causa do problema. As queixas dos usuários das UBS em relação à falta de médicos, no entanto, é constante. Apesar de reconhecer a dificuldade, a Secretaria Municipal de Saúde aprovou, dez anos atrás, um acordo que permite que os profissionais da área médica com dois vínculos empregatícios com a administração municipal cumpram apenas parte da carga horária dos empregos.
O acordo foi fechado entre o Sindicatos dos Servidores Municipais e a Prefeitura de Londrina, cujo secretário municipal de saúde da época era Sílvio Fernandes, que voltou a ocupar o cargo na atual gestão. ''Este acordo foi firmado na época com o Sindserv. Na negociação, se entendeu que deveria ser desta forma'', afirmou Fernandes.
Oficialmente, os médicos são contratados por concurso público para uma jornada de 80 horas mensais, divididas em 20 períodos de quatro horas diárias. A Lei Federal 3.999, porém, permite que os médicos trabalhem apenas seis horas, que podem ser cumpridas sem intervalos ou em duas jornadas de três horas. A situação se repete para profissionais que possuíam vínculos com o Estado e o Município.
Segundo a diretora de gestão de pessoal da Secretaria Municipal de Saúde, Cláudia Hildebrando da Silva, o acordo está atualmente sendo revisto pelo órgão. ''Era uma reivindicação antiga dos médicos na época'', relatou. Atualmente, 31 médicos e três dentistas, de um total de 274 e 77, respectivamente, estão na situação de duplo vínculo empregatício. Para ela, o problema do atendimento precário é o número reduzido de profissionais da área na cidade.
Para a médica especialista em clínica geral Denise Kley, o problema é a falta de leitos no sistema público de saúde, não de médicos. ''É facil o poder público botar a culpa em alguém'', afirmou. Denise é um exemplo de profissional com duplo vínculo com a prefeitura: atende pelo Programa de Saúde da Família e na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Santiago, na Zona Leste. ''A rede pública é excelente e o número de médicos também é muito bom'', acrescentou.
Outra dificuldade apontada pela médica é que os pacientes procuram as UBS ''sem necessidade.'' ''O problema está na ponta do carretel. Muitos pacientes procuram os médicos porque é de graça. É comum o paciente passar por diversos profissionais em busca de atendimento. Somente porque é de graça'', ressaltou Denise.
A denúncia, feita pela presidente do Conselho Estadual de Saúde, Joelma Aparecida de Carvalho, sobre o descumprimento de carga horário dos médicos motivou uma investigação do Ministério Público, aberta em maio. Os documentos solicitados pelo promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, estão sendo analisados pela auditoria do MP.

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