QUERÊNCIA DO NORTE - Os 13 arrendatários da Fazenda Sonho Real e os sem-terra que invadiram a área chegaram a um acordo sobre a colheita da safra de arroz, no final da tarde de ontem, em Querência do Norte (103 quilômetros de Paranavaí). Os sem-terra se comprometeram e liberar a barreira montada na entrada da fazenda em troca do repasse de 600 sacas de arroz em casca. O acordo foi intermediado pelo prefeito Wanderley Alves da Costa (PDT).
Pela manhã, os 13 arrendatários usaram tratores e colheitadeiras e bloquearam as entradas da Prefeitura, Câmara de Vereadores e agências bancárias para apressar o fim do impasse. Alguns comerciantes mantiveram as portas fechadas durante todo o dia em apoio aos agricultores. Há duas semanas eles eram impedidos de colher pelos sem-terra, que exigiam parte da produção.
Nenhum incidente foi registrado. A polícia acompanhou de longe o protesto, que praticamente parou a cidade. ‘‘Toda a cidade quer o fim do impasse’’, dizia o advogado dos agricultores, Daniel dos Anjos Fernandes.
O impasse entre arrendatários e sem-terra foi iniciado há um mês com o início da colheita de arroz na fazenda. Os sem-terra dizem que quando invadiram a propriedade, dia 26 de agosto, fizeram um acordo com os agricultores para o repasse ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) de 20 sacas de arroz a cada alqueire plantado, mas o trato não foi cumprido.
Os arrendatários alegam que têm contrato assinado com a empresa proprietária da fazenda, Jabur Agropecuária, de Londrina. Na propriedade de 2,4 mil hectares, há também milho e algodão. Só com arroz são 300 hectares.
Pela manhã, o prefeto Wanderley Alves da Costa intermediou uma reunião entre os arrendatários e os sem-terra, mas não houve acordo. Os agricultores disseram que manteriam o protesto até que os sem-terra levantassem a barreira na única entrada da fazenda.
‘‘Não somos contra os sem-terra, mas eles estão nos prejudicando porque parte da lavoura já está perdida’’, afirmou Jorge Scheroff. Segundo ele, pelo menos 20% do arroz foi perdido devido ao atraso na colheita.
Desespero O agricultor Leonir Bernardes mostrava-se desesperado com a situação. ‘‘Temos compromissos para saldar nos bancos e se continuar assim não vamos colher nada’’. A lavoura também foi danificada com a cheia recente do rio Paraná. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a fazenda Sonho Real é a maior produtora de arroz irrigado do Estado.
A juíza de Loanda, Elizabeth Khater, deu reintegração de posse aos donos da fazenda e garantiu o direito de os arrendatários colherem a safra, mas a decisão não foi cumprida. Segundo a juíza, o cumprimento da liminar cabe ao governo do Estado.

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