IBIPORÃ - Agrônomos nomeados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), iniciaram ontem levantamento do milho plantado pelos sem-terra na fazenda Nossa Senhora da Salete, em Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina). O acordo, intermediado pela SRP, permite aos sem-terra colher o milho plantado na invasão de outubro.
O proprietário da fazenda, Arlindo Fuganti, conseguiu a reintegração de posse no dia 30 de janeiro. Na semana passada começou a preparar a terra para plantar, derrubando cerca de 30 dos 70 alqueires de milho do MST. Os sem-terra reclamam o direito sobre a colheita. Para evitar conflito, a SRP e o Incra organizaram o levantamento da lavoura.
Segundo o dirigente do MST, Josmar Choptian, o acordo permite que os sem-terra colham o milho plantado. ‘‘Queremos ver também quantas sacas dariam na área destruída pelos Fuganti. Pretendemos pedir indenização’’, afirma. Choptian calcula que o prejuízo passa de R$ 15 mil.
Arlindo Fuganti disse ontem que, dependendo do laudo dos agrônomos, a Sociedade Rural fará a colheita. ‘‘Mas os sem-terra terão que assumir o compromisso de não nos incomodar mais’’, ressalta. O fazendeiro diz que teve prejuízos, pois foi impedido de plantar trigo por causa do milho. O presidente da Sociedade Rural, Manoel Campinha Garcia Cid, participava de um evento na Câmara de Vereadores e não pôde atender à reportagem.

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