O acordo entre Brasil e Paraguai para ‘‘repatriar’’ carros roubados não funciona. Criado para ajudar a Polícia Nacional do país vizinho a rastrear veículos brasileiros roubados, o acordo permitiu a implantação do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) nos consulados e Embaixada brasileira no Paraguai. No entanto, o sistema só foi utilizado duas vezes pela polícia desde a sua implantação no ano passado, e acabou desativado.
No ano passado, quando pregava a moralização, o país vizinho anunciou que pelo menos 150 mil carros brasileiros e 80 mil argentinos eram suspeitos dentro do Paraguai. No banco de dados do Renavam, constam informações de mais de um milhão de carros brasileiros roubados nos últimos 15 anos. O veículo só sai do sistema com um registro de localização feito pela Polícia Civil dos estados brasileiros.
Comemorado pelos dois países, o acordo representava o fim da burocracia para se resgatar carros roubados no Brasil e que estão circulando livremente em território paraguaio. No entanto, quase cinco meses depois, o descaso da Polícia Nacional fez com que o sistema fosse desativado. Na tela do computador do Consulado Brasileiro em Ciudad del Este aparece apenas a mensagem de ‘‘desativado por falta de uso’’.
Segundo o cônsul brasileiro adjunto em Ciudad del Este, os computadores só foram acionados duas vezes. Uma através de um advogado paraguaio e outra por uma brasileira de Foz do Iguaçu que teve o carro roubado.
O cônsul não confirma o descaso da polícia paraguaia e diz que ‘‘talvez, não tenham encontrado nenhum carro suspeito que exigisse uma checagem’’. Mas o assessor de imprensa da Polícia Nacional, Cesar Augisto Lima, confirma que ‘‘não há interesse em recuperar carro brasileiro roubado’’. Segundo ele, a atuação dos policiais fica restrita aos pedidos feitos por colegas brasileiros. ‘‘Nós não vamos colocar agentes para sair procurando carros brasileiros roubados. Se houver denúncia, até procuramos’’, afirma.

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