Acordo normaliza a Central de Leitos
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O sistema de gerenciamento da Central de Leitos no Paraná se normalizou ontem, depois de passar quase 24 horas desativado. O retorno do sistema só foi possível depois que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Instituto Curitiba Informática (ICI), responsável pelo serviço, entraram em acordo. A desativação da rede ocorreu na madrugada de terça-feira, por iniciativa da empresa, depois que a PGE noticiou que ia cancelar o contrato do governo com o ICI. Nos próximos dias, a Companhia de Informática do Paraná (Celepar) vai assumir o controle da rede.
De acordo com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, o Estado já pagou R$ 12,5 milhões dos R$ 33 milhões previstos no contrato, assinado em março de 2001. ''Mostramos que pelo valor já pago a empresa não deveria tirar o sistema do ar. Não é possível que nenhum software ou estrutura valha tanto'', disse Lacerda. Segundo ele, a Celepar já absorveu os dados da Central de Leitos e está pronta para gerenciar o serviço. ''Com a mudança, o Estado vai gastar um terço a menos'', afirmou. O ICI recebia, mensalmente, R$ 690 mil pelo gerenciamento da rede.
A desativação do sistema havia provocado caos no atendimento médico do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. Durante terça-feira, principalmente pela manhã, não foi possível marcar nenhuma consulta. Os pacientes que precisavam de um leito para internamento foram prejudicados. Alguns conseguiram vagas através de contatos telefônicos. Nenhum caso grave foi registrado em decorrência da desorganização do sistema.
A Secretaria de Estado de Saúde montou um sistema emergencial para atender a população na terça-feira à tarde. ''Conseguimos fazer isso em meio dia. Sinal de que o ICI cobrava um preço exorbitante para algo relativamente simples'', avaliou o diretor de sistemas de saúde da secretaria, Mário Lobato.
O ICI, por meio da assessoria de imprensa, informou que só vai se pronunciar oficialmente sobre o caso se o governo confirmar a quebra de contrato.
Em Londrina, ao contrário das outras cinco centrais de leitos do estado, não houve maiores complicações. ''Estamos acostumados a ter um contato intenso por telefone com os outros hospitais da região, que nos procuram diretamente, e a Secretaria Municipal de Saúde e a 17 Regional de Saúde regulam o fluxo de transferências. Nunca dependemos muito do ICI e não houve grandes traumas no atendimento'', afirmou Rosângela Libanori, médica da Secretaria de Saúde.


