GOIOERÊ - Os funcionários da Prefeitura de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão) recomeçaram esta semana a greve suspensa há dois meses. Desta vez, a paralisação acontece porque o prefeito José Paulo Novaes (PDT) não cumpriu o acordo de pagar ao funcionalismo no dia 10 de cada mês. Até ontem, só tinham recebido julho quem ganha até R$ 474,00. A prefeitura anunciou que pagaria o restante hoje, mas os servidores preferiram não esperar.
Segundo o Sindicato dos Servidores, não há mais como dar crédito à administração. A greve encerrada há dois meses durou 69 dias e só terminou depois que os funcionários abriram mão de receber os salários em troca da promessa de que não aconteceriam novos atrasos. No entanto, vários funcionários estão com quatro meses de salários acumulados.
Desta vez, a greve não conta com protestos e nem com o ‘‘barulhaço’’ na frente da prefeitura. Os grevistas apenas assinam um livro-ponto no sindicato e vão para casa. Os professores, já prejudicados por mais de dois meses sem aulas entre julho e setembro, aderiram de forma diferente. Eles vão dar apenas três horas diárias de aula de segunda a quinta-feira e duas horas nas sextas-feiras. Também param de repor aulas aos sábados e feriados.
A ‘‘operação tartaruga’’ dos professores foi tomada para evitar que os alunos percam o ano escolar e contou até com um acordo com o Núcleo de Educação. O prefeito culpa a queda na arrecadação e a falta de recursos para não pagar os servidores em dia. O sindicato diz que obras não essenciais, como o passeio público, nunca foram suspensas. O presidente do sindicato, Paulo Mendes da Silva, teme que o problema dure até o fim do ano.
Liminar O juiz Nestário da Silva Queiroz expediu liminar ontem à tarde bloqueando as contas da Prefeitura de Goioerê. Com o bloqueio, 60% do que o município receber do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), do ICMS e do IPVA serão destinados exclusivamente para o pagamento dos servidores. A liminar atendeu ação de cobrança cumulada com pedido de antecipação de tutela impetrado pelo Sindicato dos Servidores.
‘‘É inconcebível que os funcionários fiquem sem receber sua remuneração’’, descata o juiz na liminar. Ele destaca que há rumores na cidade de que os funcionários municipais estão passando por dificuldades e completa: ‘‘Não pode nestas cirscunstâncias, ficar alheio o Poder Judiciário’’. Esta é a segunda vez que a Justiça bloqueia as contas da Prefeitura somente este ano. Na primeira, a liminar foi cassada em segunda instância.
Moreira Sales Goioerê é a segunda cidade da região onde os servidores retornaram à greve porque a prefeitura não cumpriu com acordo. A primeira foi Moreira Sales (70 km a oeste de Campo Mourão), onde a ‘‘segunda etapa’’ da greve dura mais de um mês, contra 21 dias parados antes do acordo. Em Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão), os servidores iniciaram greve por tempo indeterminado. Eles não recebem há três meses.
Em Nova Cantu (120 km a sudoeste de Campo Mourão) os funcionários da prefeitura encerraram uma greve que durou 29 dias. O fim do movimento foi decidido depois que o Sindicato dos Servidores teve acesso a parte do receita do município, bloqueada pela Justiça, e pagou meia folha de pagamento. O bloqueio garante aos servidores 60% da arrecadação. O funcionalismo acumula seis meses sem salários.

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