Acordo garante água em assentamento
Telma Elorza
De Londrina
A Sanepar vai restabelecer a água nos assentamentos União da Vitória 2 e 5, zona sul de Londrina, que há quatro meses está com a água do cavalete comunitário cortada por falta de pagamento. O acordo foi firmado ontem, quando uma comissão de moradores esteve no escritório regional da Sanepar para reivindicar a instalação da rede de água no local. Os moradores foram acompanhados pelo diretor-executivo da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Agnaldo José da Rosa, e pelo vereador Antônio Ursi (PFL).
Na reunião com o gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, os ânimos se exaltaram. Kishima alegou que a responsabilidade da instalação da rede de água em assentamentos é da Cohab, enquanto Rosa afirmava que cabe à estatal providenciar o serviço pelo qual cobra.
No jogo de empurra, os moradores se queixavam de estar em situação crítica, sem água potável para atender as cerca de 430 famílias do local. Eu moro lá há oito anos. Tenho uma filhinha pequena. E se ela ficar doente, quem vai ser responsável?, questionou Roberto dos Santos, do União da Vitória 2.
O problema começou porque, há cerca de dois anos, os moradores do assentamento estavam com as contas da água comunitária em atraso, totalizando uma dívida de R$ 4.300,00. Em agosto, depois de várias negociações, a Sanepar cortou a água. Os moradores, porém, fizeram ligações clandestinas que foram descobertas e retiradas pela empresa há alguns dias. Isto é ilegal e não podemos admitir, enfatizou Kishima.
Os moradores argumentaram que as ligações clandestinas não seriam necessárias se houvesse rede de água. O problema no cavalete comunitário é que, se um não pagar, compromete todos os outros. Com o individual, se não pagar o problema é dele, reclamou Roberto dos Santos
O gerente metropolitano afirmou que a infra-estrutura em loteamentos é de responsabilidade dos proprietários e do loteador. Os assentamentos são feitos em áreas da prefeitura e a Sanepar não pode ser responsável pela infra-estrutura, apontou. Para ele, o problema é que Londrina não teria um plano diretor para orientar o crescimento da cidade. Quando foi instalado o programa de captação de água do Rio Tibagi, não estava programado o crescimento que tiveram as regiões norte e sul da cidade. Hoje, a Sanepar está correndo atrás para atender os novos consumidores. O (assentamento) São Jorge, por exemplo, não tínhamos como atender sem fazer um anel na rede. E todos os nossos recursos são financiados, explicou.
Para o diretor da Cohab, a justificativa não convenceu. Londrina tem um plano diretor há 30 anos. O problema é que a Sanepar, responsável pelo abastecimento de água, não se preparou para o crescimento, apontou. Agnaldo Rosa afirmou que não é justo jogar a responsabilidade da infra-estrutura para o município no caso de assentamentos.
Em loteamentos, isto é até correto, já que visam lucro. Mas os assentamentos têm finalidade social. Além disto, estamos disponibilizando os consumidores já, e não daqui a 10 anos como em um loteamento particular, afirmou. Para ele, seria a mesma coisa que uma concessionária de transporte coletivo exigir, por exemplo, que a prefeitura comprasse ônibus para ela trabalhar. A Sanepar cobra e tem lucro com seus serviços, lembrou.
Como solução, Paulo Kishima propôs que a Cohab e a Sanepar se unissem para efetuar a construção da rede, com a companhia de habitação pagando a mão-de-obra e a Sanepar, o material. A proposta foi imediatamente recusada por Agnaldo Rosa. É injusto porque a Cohab pagaria três quartos do valor da obra, enquanto a Sanepar ficaria só com um terço, comparou.
Depois de muita discussão ficou acertado que a Sanepar vai restabelecer a água e a comunidade parcelará a dívida, enquanto engenheiros das duas companhias trabalharão em levantamento de custos para a implantação da rede de água. Depois, com os custos em mãos vamos discutir a participação de cada, Cohab, Sanepar e moradores. Mas eu posso afirmar que a participação da Cohab vai ser pequena, antecipou Rosa.





