Silvana Leão
De Londrina
Um acordo feito entre o secretário de Educação de Londrina, Dorival Perez, e representantes da Igreja católica retirou da pauta da sessão de ontem na Câmara de Vereadores um assunto polêmico: a devolução de terreno cedido em permissão de uso para a Mitra Arquidiocesana à Secretaria de Educação, que pretende construir no local uma escola. A área tem cerca de 6 mil metros quadrados e está localizada no Jardim União da Vitória 4 (zona sul).
A lei nº 8.038, que cede o terreno à Arquidiocese, foi sancionada no dia 29 de dezembro de 99 e teve como autores os vereadores Flávio Vedoato (PL), Sidney de Souza (PST), Antenor Ribeiro (PPB), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Carlos Eduardo Santa Rosa (PFL). Anteriormente, porém, a área já havia sido destinada à construção de uma unidade escolar.
Na última quinta-feira, o presidente da Câmara, Renato Araújo, revogou a lei 8.038, argumentando a ‘‘observância da solicitação do secretário de Educação’’ e que isto deveria ser feito para ‘‘respeitar a primazia da lei’’. O tema iria a discussão ontem, mas pouco antes, em uma conversa dentro da Câmara de Vereadores entre os padres Manoel Joaquim dos Santos (assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina) e Jaime Alonso Botero (da Paróquia São Lourenço), Dorival Perez, Flávio Vedoato e Sidney de Souza, ficou acertado que hoje pela manhã uma comissão vai procurar um novo terreno para ceder à Mitra.
O padre Jaime Botero explicou que a igreja ‘‘não pode ser intransigente diante de um assunto como este’’. Já o assessor de comunicação da Arquidiocese explicou que a Igreja não conhecia o projeto da escola, por isso voltou atrás e não se opôs ao acordo. ‘‘Sabemos da importância da escola também.’’ Manoel Joaquim acredita que foi uma precipitação dos vereadores doar o terreno à Mitra sem consultar antes a Diretoria de Patrimônio Público.
Pelo acordo feito verbalmente, a Secretaria de Educação se compromete a ajudar na terraplenagem do novo terreno, já que a Arquidiocese já havia preparado a área que está em discussão. Perez chegou a falar em uma ajuda de R$ 20 mil.
Segundo o secretário de Educação, o terreno estava destinado à construção da escola há cerca de cinco anos, mas só agora foi conseguida uma verba de R$ 400 mil para o projeto. A matéria deverá entrar na pauta da sessão de amanhã na Câmara, quando já deverá estar definida a nova área para a construção da igreja.

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