Em uma assembléia realizada na tarde de ontem no saguão de entrada da Prefeitura de Londrina, os servidores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) decidiram, por unanimidade, pôr fim à greve de oito dias. Eles retornam ao trabalho hoje. Pelo acordo, o Executivo se comprometeu a reajustar em 8,62% o valor do tíquete-alimentação caso o Tribunal de Contas (TC) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não se oponham à medida. Além disso, os dias não trabalhados não serão descontados. Em contrapartida, os servidores encerrararam a greve e aguardam uma posição dos dois tribunais sobre uma consulta acerca de reposição salarial, que deverá ser encaminhada pela Câmara de Vereadores.
O acordo só foi fechado com a substituição do secretário de Fazenda, Wilson Sella, pelo secretário de Governo, Adalberto Pereira da Silva, no comando das negociações com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). Sella foi bastante criticado pelos servidores que, na semana passada, rejeitaram a mesma proposta aceita ontem: reajuste de 8,62% no tíquete-alimentação e a maior participação do município no pagamento do benefício, que aumenta dos atuais 5% para 20%.
O aumento, se os tribunais não fizerem objeções, será retroativo a 1º de agosto e o tíquete sobe de R$ 129,00 para R$ 166,00. ''Se houver uma resposta positiva, (o reajuste) será acatado pelo município'', garantiu o secretário, que durante a reunião saiu por diversas vezes para consultar-se, por telefone, com o prefeito Nedson Micheleti (PT).
Pelo acordo, os servidores também irão procurar a Câmara de Vereadores hoje para viabilizar uma consulta junto ao TC e ao TRE com relação à reposição salarial de 26,9% pretendida. O secretário disse ser difícil a prefeitura bancar esse percentual porque ''não conta com fluxo de caixa nem recursos para isso''.
O secretário preferiu não comentar o porquê dos pedidos de consulta junto ao TC e ao TRE não terem sido feito antes. Ele alertou, porém, que a consulta está condicionada à volta ao trabalho e só será feita depois que isso acontecer. De acordo com a legislação, o Sindserv não tinha autonomia para fazer essas consultas. Elas só podem ser protocoladas pelo poder público ou partidos políticos.
A presidente do Sindserv, Marlene Valadão, considerou que houve um grande avanço nas negociações mas os servidores optaram por manter a cautela: na mesma assembléia que aprovaram a proposta do Executivo, os servidores mantiveram-se o estado de greve. Assim poderão se reunir a qualquer momento sem necessidade de convocação da categoria através de edital. ''Foi um avanço. Quanto ao reajuste salarial, em sendo favorável (a consulta), sentaremos com o Executivo para negociar. Não sendo favorável, vamos esperar o fim do processo eleitoral para retomarmos as negociações'', observou Marlene.

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