O acordo de paz firmado há um mês entre gangues rivais do Jardim Nossa Senhora da Paz e Rua Pantanal, na Zona Oeste de Londrina, praticamente encerrou a rotina diária de tiroteios entre traficantes. Por outro lado, os assaltos continuam a preocupar moradores das imediações. O panorama foi constatado ontem pela reportagem da Folha de Londrina, que conversou com quem vive e trabalha na região considerada uma das mais violentas da cidade.
Apesar da aparente tranquilidade, o medo de represálias ainda impera. Nenhum dos entrevistados quis ter o nome ou a foto publicados pelo jornal. Mas informaram que as consequências positivas do acordo podem ser sentidas no dia-a-dia.
Um exemplo é o aumento na frequência dos alunos de um curso que têm aula no Jardim Nossa Senhora da Paz. A professora conta que a sala de aula fica praticamente na linha de tiro entre os dois bairros. O risco intimidava os alunos e a evasão era constante.
''Graças a Deus, com o acordo de paz, as pessoas estão se sentindo mais livres e mais tranquilas. A situação mudou bastante. Não tem mais tiroteios. Antes tinha sempre. A gente tinha até se acostumado'', afirmou a professora.
Por outro lado, o pacto não trouxe tranquilidade para os comerciantes da vizinhança. Alguns foram assaltados nos últimos dias, durante a vigência do acordo de paz. O dono de um sacolão do Jardim Leonor foi visitado por bandidos duas vezes apenas em julho. As mensagens religiosas que decoram as paredes do estabelecimento comercial não são suficientes para intimidar os assaltantes.
Para ele, a solução depende exclusivamente do poder público. ''Fui assaltado no dia da festa que comemorava o acordo de paz. Acho que isso é coisa política porque bandido mesmo não faz acordo. O que precisa é de uma polícia mais rigorosa e de uma lei mais dura'', opina.
Enquanto a reivindicação não vira realidade, a única saída para o trabalhador é adaptar-se. O comerciante há alguns anos passou a fechar mais cedo, o que o impede de praticar de praticar uma das poucas atividades de lazer a que tinha direito: a pescaria.
O setor de relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) informou que os bairros da Zona Oeste têm uma equipe específica para o policiamento ostensivo. O Pelotão de Choque também faz incursões períodicas nas áreas de maior risco. A região conta ainda com uma sede de pelotão, que fica no Jardim Leonor.
''Temos feito prisões constantes naqueles bairros. O que acontece é que a comunidade colabora, mas há exceções, de pessoas que tentam tumultuar o trabalho policial'', ressalta o tenente Ricardo Eguedis. De acordo com o policial, a orientação para quem for vítima de assalto é não reagir e tentar manter a calma. E ainda denunciar os criminosos através de ligação anônima para o telefone 181.

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