O sequestro, em solo paranaense, de quatro opositores do regime ditatorial de Alfredo Stroessner, ocorreu em um período especialmente delicado nas relações políticas entre Brasil e Paraguai. De um bom relacionamento com Stroessner dependia o principal projeto estratégico dos militares brasileiros: a construção de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo.
O tratado para a concretização da usina havia sido assinado em 1973, mas a construção da obra só começaria dois anos depois. Para não comprometer seu grande projeto, o governo do general Ernesto Geisel teria que atender, pelo menos parcialmente, o pedido dos paraguaios, que queriam capturar seus opositores que se abrigavam no Brasil. A hidrelétrica binacional de Itaipu, represando o Rio Paraná, na fronteira dos dois países, foi inaugurada em 1982.
Além de marcar o período com uma obra grandiosa, os militares brasileiros tentavam, com a construção de Itaipu, agregar a seus domínios continentais o Paraguai, país com inclinações históricas de alinhamento com a Argentina. Devido a essa luta pela hegemonia no continente, a Argentina era radicalmente contra Itaipu. ‘‘Por isso, Brasília precisava demonstrar simpatia a Assunção. Itaipu estava em jogo’’, avalia Rodolfo Mongelos, um dos quatro sequestrados em dezembro de 74. (V.D.)

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