O início de duas obras no Parque Arthur Thomas, nesta semana, está deixando à mostra o acúmulo de acordos ambientais pendentes entre a prefeitura de Londrina, o Ministério Público (MP) e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Nenhum dos projetos será bancado pela Sanepar, embora esse custeio esteja previsto em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assumido pela companhia há quase dois anos, por ter poluído o Ribeirão Cambezinho, em 2000.
Uma das obras é a recuperação de uma trilha existente no parque, cada vez mais deteriorada pelas chuvas. A ordem de serviço foi assinada ontem à tarde, pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e pelo secretário municipal do Meio Ambiente, Dirceu Fumagalli. A empresa vencedora da licitação vai executar a obra a um custo de R$ 134 mil, pago pelo município com recursos próprios. O prazo previsto de conclusão é de 60 dias.
Já o outro projeto a construção de um Centro de Educação Ambiental, orçado em R$ 95 mil, a ser iniciada até o final da semana será custeado e executado pelo Pool de Combustíveis de Londrina. É mais uma das medidas compensatórias ao meio ambiente, assumidas pelo Pool junto ao MP, após ter provocado o vazamento de 100 mil litros de óleo diesel no Ribeirão Lindóia, no ano passado.
O curioso é que o projeto do Centro de Educação até se assemelha a uma das medidas previstas no TAC assinado pela Sanepar. Pelo acordo, a companhia de saneamento repassaria R$ 110 mil para o Município, para uma revitalização completa do Parque Arthur Thomas, incluindo um Centro de Visitantes, uma ''Calçada da Fama'' com pegadas de animais, quiosques e um portal com observatório.
O secretário do Meio Ambiente garante que o acordo ainda será cumprido, mas admite que o projeto terá que ser reavaliado. ''Esse centro que será construído pelo Pool tem praticamente a mesma atribuição do que seria feito pela Sanepar. Teremos que rever o acordo''. Fumagalli atribui a demora no cumprimento do termo a empecilhos burocráticos, como a troca de secretários, no ano passado, e a ausência de cláusulas específicas no orçamento do Município.
Uma outra medida prevista no TAC também terá de ser revista. O acordo determinava a recuperação de 42 nascentes na área urbana, a um custo de R$ 55 mil. Essa parcela já está na conta do Município. Contudo, segundo Fumagalli, o dinheiro não é suficiente para esses fins. ''Vamos rediscutir o acordo e, no próximo ano, estando dentro da lei, daremos início a novas obras'', afirmou. Os R$ 110 mil, de acordo com o secretário, deverão ser usados para a construção de uma nova trilha, com três pontes, no Arthur Thomas.
O promotor de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Eduardo Nagib Matni, que assumiu o posto há pouco mais de dois meses, disse que ainda não tem conhecimento do exato teor do acordo. Ele aguarda resposta do Município a um ofício enviado para pedir explicações sobre o atraso no cumprimento do termo.

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