Curitiba - Denunciada à polícia e ao Ministério Público Estadual por agredir uma senhora de 84 anos de quem cuidava diariamente, Vera Lúcia de Freitas Lima, 42 anos, deve prestar depoimento na próxima semana. Na segunda-feira, o delegado do 3º Distrito Policial de Curitiba, Celso Neves, vai ouvir familiares da idosa e duas testemunhas indicadas por um dos filhos da vítima.
O caso veio a público quando foram exibidas pela televisão as imagens registradas pela família com o auxílio de uma câmera instalada na casa da idosa, sem o conhecimento de Vera Lúcia. A acompanhante aparece cometendo agressões físicas e psicológicas contra a senhora, que em 2005 teve uma perna amputada em decorrência da diabetes e, desde então, se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas.
De acordo com o delegado, a agressão registrada pelas imagens é degradante devido à incapacidade física da vítima para reagir. ''São maus tratos que não causam hematomas mas evidenciam um tratamento desumano, o que caracteriza tortura física e psicológica'', explica o delegado. Segundo ele, a autoria é certa e indiscutível.
Até a conclusão do inquérito policial, Vera Lúcia ficará em liberdade. Como determina o Estatuto do Idoso, o inquérito terá prioridade e, segundo o delegado, deve ser concluído antes do prazo de 30 dias. A promotora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa do Direito dos Idosos, Terezinha Resende Carula, solicitou urgência por causa da gravidade do fato.
De acordo com a promotora, o que chega ao conhecimento do Ministério Público são situações de abandono, maus tratos de ordem emocional e psicológica, e omissão por parte das famílias, que deixam os idosos sozinhos em casa. ''A maioria das pessoas alega que trabalha e que não tem tempo. E não há distinção de classe social'', afirma a promotora. Exames psicológicos e de lesões corporais também deve constar no inquérito.
Uma das netas da vítima, que pediu para não ser identificada, conta que a primeira suspeita quanto à índole de Vera Lúcia surgiu quando a acompanhante pediu para sair mais cedo pois teria que depor no Conselho Tutelar. O segundo sinal apareceu quando outro neto surpreendeu a acompanhante falando com a idosa de forma ríspida. A família decidiu, então, gravar a movimentação dentro da casa. ''Não saber o que aconteceu, e por quanto tempo, dói muito. As imagens que você não vê são as piores porque você fica imaginando. Isso é muito difícil'', conta a neta. A acompanhante havia sido contratada em setembro de 2005.
A reportagem procurou a acompanhante por telefone, mas ninguém atendeu as ligações.

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