Mais de 70% dos 4.576 bebês nascidos em Curitiba em situação de risco no primeiro semestre deste ano foram visitados em casa por profissionais de saúde da prefeitura. A visita domiciliar é uma estratégia para antecipar a recuperação desses bebês, que na maioria dos casos têm baixo peso - no máximo 2,5 quilos - ou são prematuros. ‘‘A cobertura só não é maior porque muitos endereços dados não são encontrados’’, lamenta o secretário municipal da Saúde, João Carlos Baracho.
A informação faz parte do relatório preliminar sobre o desempenho anual do programa Nascer em Curitiba Vale a Vida, que a Secretaria Municipal da Saúde está elaborando. O programa visa ajudar a reduzir a taxa de mortalidade e melhorar a qualidade de vida infantil, acompanhando a evolução do estado de saúde desde a maternidade até o quinto ano de vida.
Desde que o programa foi implantado, em 1993, até o ano passado, a taxa de mortalidade infantil caiu de 22,4 por 1.000 bebês nascidos vivos para 18,1 por 1.000. ‘‘Independente dos fatores sócio-econômicos que pesam no estabelecimento desse índice, sabemos que o atendimento médico tem influência na sua queda’’, diz o secretário.
Ainda de acordo com o relatório, os bebês saudáveis são levados para a primeira consulta nas unidades de saúde até o trigésimo dia de vida. De janeiro a junho isso aconteceu em 66% dos casos (2.999 bebês). O comparecimento espontâneo é considerado satisfatório pela diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Eliane Maluf. ‘‘O ideal é que os pais levem a criança para a primeira visita ao pediatra assim que completar 15 dias. Se isso não acontecer, deslocamos uma equipe para localizar o bebê e convidar os pais para levá-lo ao médico’’, explica.
Isso é possível porque a prefeitura faz o acompanhado diário das declarações de nascidos vivos (DN’s) que os hospitais e maternidades fornecem para os pais dos bebês e para a Secretaria Municipal da Saúde. Nesse documento constam, além dos dados clínicos da criança ao nascer - como peso, estatura e tipo de parto - o endereço dos pais.
O acompanhamento da situação dos bebês curitibanos mostra também que 68% deles (2.772 crianças) são filhos de mães com menos de 20 anos. O fator idade materna, tanto no caso das muito jovens quanto no das com mais de 35 anos, associada a fatores como grau de instrução, número de gestações anteriores e número de filhos vivos ou mortos, orientam os técnicos para estabelecer se os bebês estão ou não em situação de risco.

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