Acolhimento: um convívio de amor
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
A desestrutura familiar ocasionada por diversos fatores sociais, como o desprezo dos próprios pais, a dependência química, casos de maus tratos, entre outros, pode levar à retirada da criança ou do adolescente da família de origem.
Quando isso ocorre, elas são encaminhadas aos lares e abrigos de Londrina, porém, um programa iniciado em 2007 pela rede de Assistência Social surgiu justamente para que essa realidade se transforme. Antes intitulado de ''Guarda Subsidiada'', o projeto passou a ser chamado de ''Família Acolhedora'', com a nova lei de adoção de 2009.
''A Família Acolhedora surgiu para tentar resolver uma situação de retirada de crianças e adolescentes dos abrigos e das casas lares, dando a elas uma oportunidade de conviver durante um período ou quem sabe até o resto da vida, dentro de uma família substituta'', explicou o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ademir Ribeiro Richter, durante o lançamento da campanha de divulgação do programa, ontem pela manhã.
Segundo a assistente social Maria Ângela Santini, do serviço de Acolhimento Social, a intenção da campanha é apresentar à comunidade a nova filosofia de trabalho com crianças e adolescentes e, com isso, aumentar o número de acolhedores. ''Hoje, em Londrina temos 60 famílias no programa. Cerca de 30 são acolhedoras e as demais são de origem, pois nosso trabalho tem a intenção de retornar a criança para o seu meio'', disse ela, ao ressaltar que é feito um repasse de R$ 250 para cada família acolhedora, mas que também há as voluntárias.
Os requisitos básicos para uma pessoa se tornar acolhedora é ter mais de 18 anos, não possuir antecedentes criminais e nem ser dependente de álcool e outras drogas, apresentar documentos solicitados pelo serviço, residir em Londrina e participar do processo de avaliação que irá verificar se o(a) candidato(a) está apto(a). Não é necessáio ter vínculo consanguíneo com a criança ou adolescente.
Vínculos
A psicóloga Aline Pedrosa Fioravante, que atua em Curitiba, esteve presente no lançamento da campanha e ministrou uma palestra sobre o tema. Com a experiência do trabalho realizado nas secretarias de estado da Criança e Juventude e da Família e Desenvolvimento Social, ela disse que um dos desafios é cada vez mais inserir a criança no modelo de acolhimento que respeita os vínculos.
''A família precisa ser preparada para receber a criança porque o objetivo não é atender um desejo do casal de cuidar de alguém, mas atender a criança que precisa de apoio e estrutura neste momento da vida'', afirma.
De acordo com ela, a criança acolhida não vai esquecer que tem uma família. Porém, é necessário que os acolhedores mostrem à criança o quanto é bem recebida e amada. ''A família acolhedora receberá a criança que já enfrenta um momento de dificuldade, pois ela saiu de casa justamente pela fragilização familiar. Então, quem as recebe precisa estar preparado e ter habilidades suficientes para acolhê-la e fazê-la se sentir incluída na dinâmica familiar. A clareza do papel do acolhedor é fundamental. É claro que a criança, inclusive as menores, vão se confundir, mas uma equipe multidisciplinar de psicólogos e assistentes sociais vão auxiliar nesse trabalho'', salienta.
Ainda de acordo com a psicóloga, o acolhimento pode ser de meninos e meninas de 0 a 18 anos, mas estudos revelam que a faixa etária de maior incidência no Paraná é de 10 a 12 anos. Ela também lembra que o programa é uma proposta que vem depois da tentativa de reintegração familiar e antes do acolhimento institucional.
Serviço - Mais informações pelo fone: (43) 3378-0589 ou pelo e-mail: [email protected]


