O Hospital Evangélico de Londrina tem duas equipes que atuam nos cuidados paliativos. Uma atende os pacientes na unidade e a outra entra em ação nos casos de internação domiciliar.
A Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) é formada por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, que fazem o acompanhamento do paciente sem perspectiva de cura e na preparação da família para lidar com esse paciente.
Os familiares recebem treinamento de como cuidar dessa pessoa. "Quando o paciente não tem mais condições de tratamento a nossa prioridade é manter a sua dignidade e conforto. Mas também não adianta ele estar confortável se a família não estiver preparada psicologicamente para lidar com a situação", comentou Jaqueline Fátima de Souza, supervisora de enfermagem do Hospital Evangélico.
Assim como no Hospital Zona Norte, a vontade do paciente é sempre levada em consideração. "Às vezes, eles pedem para ver um filho, um neto. A política dos hospitais de proibir a visita de bebês e crianças é deixada de lado nestes casos. A gente prepara essas crianças para a visita", disse a enfermeira.
A unidade conta com oito leitos e atende em media entre 30 e 35 pacientes/mês. A permanência média desses pacientes é de 10 e 11 dias. A maioria recebe alta e vai continuar com os cuidados paliativos em casa. "É muito melhor continuar os cuidados paliativos em casa, pelo conforto e pela recuperação. Num hospital sempre há o risco. Sem falar que o paciente perde a noção de tempo e espaço", explicou Jaqueline.
O trabalho do UCI é antigo, mas desde outubro do ano passado uma equipe multidisciplinar foi formada para capacitar os familiares. O trabalho começou em março e até agora 20 famílias já participaram. "Muitas vezes os familiares são inseguros sobre os procedimentos." O treinamento é fora do horário de visita para que os familiares não percam a chance de ter esse contato com o paciente. E a duração depende de como eles assimilam o conteúdo.
"Estamos começando a colher os frutos desse trabalho. Existe a cultura de que o paciente paliativo vai morrer e não é bem isso. Ele exige cuidados maiores que outros pacientes, que envolvem outras questões como o lado psicológico, social, cultural e de crenças", afirmou Jaqueline.
Quando o paciente vai para casa, entram em ação os profissionais do Saúde em Casa, serviço de internação domiciliar do Evangélico. "Eles dão atenção a família para que ela consiga prestar os cuidados e evitar que o paciente retorne ao hospital", explicou a enfermeira Maria Naemi Kishi, supervisora do Saúde em Casa.
A equipe do Saúde em Casa trabalha em conjunto com o UCI e "se percebe que a família que recebe orientação no hospital tem mais tranquilidade para cuidar desse paciente".
O objetivo do Saúde em casa, em relação aos pacientes que necessitam de cuidados paliativos, é garantir qualidade de vida. "Medidas de conforto e de minimizar a dor, são o foco em pacientes sem possibilidade terapêutica, uma vez que a evolução para óbito é certa. Procuramos garantir qualidade ao tempo de vida que resta", ressaltou Maria Naemi.

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