Majd Homji, de 21 anos, é um sírio que deixou a terra natal fugindo dos conflitos bélicos que assolam o país. Está no Brasil há dois anos e meio. "Estava chegando o tempo de eu me alistar no Exército. Fatalmente teria que empunhar armas. Vim como turista e aqui pedi asilo para ficar definitivamente", conta.
O fato de ter um tio morando na cidade o fez escolher Londrina. Como trabalhava em um salão de cabeleireiros na Síria, resolveu ser empreendedor na nova terra e abriu o próprio salão. Está indo bem. Incomoda, porém, a saudade e a preocupação com os pais e as três irmãs que continuam vivendo em Damasco, a capital do país.
A guerra civil na Síria começou em março de 2011 e já provocou mais de 260 mil mortes. Agrava a situação a presença do grupo Estado Islâmico no país, o que provoca várias frentes de batalha. "Meus parentes vivem em Damasco, onde a guerra não está em seu pior estágio. Falo para eles como aqui é bom, mas não querem vir", ele diz, resignado.
Majdi não frequenta as aulas de português da professora Luciana Bataglia Mesquita, porque, no mesmo horário, está em outra sala do mesmo prédio do Sesc, acompanhando o pessoal que faz o ensino médio. Na Síria, só conseguiu concluir o fundamental. Mas, sempre que possível, interage com os colegas que estão aprendendo ainda o básico do português.

MONTANHAS
Formado em Engenharia Industrial, o colombiano Andres Felipe, de 30, deixou a pacata El Cerrito, cidade de 57 mil habitantes, na região de Cali, para tentar a prosperidade em Londrina. "Na faculdade, os professores diziam que o Brasil seria um bom lugar para exercer a profissão. Como já tinha alguns amigos aqui, decidi arriscar", explica Felipe, um dos alunos da turma de Português para Estrangeiros do Sesc.
Por enquanto, ele ganha a vida vendendo roupas e capinhas para telefones celulares, como ambulante, no centro da cidade. Pretende procurar uma universidade onde possa validar o diploma para depois sair distribuindo currículos. "Se der certo, faço a vida aqui", diz, com esperança.
Andres confessa que às vezes sente muita falta dos passeios de bicicleta que dava pelas montanhas colombianas e também da comida preparada pela mãe. Mesmo assim, pretende continuar em Londrina. "A cidade é linda, organizada, grande", elogia.

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