O tempo de espera para consultas médicas na rede pública de saúde sempre foi e continua sendo objeto de reclamação por parte dos usuários. Mas em instituições como o Ambulatório do Hospital de Clínicas (AHC) da Universidade Estadual de Londrina e no Posto de Saúde do Aquiles Sthenghel (Zona Norte) estes demorados minutos de ociosidade são ocupados com ações úteis, que valorizam tanto o paciente quanto o serviço prestado. Brilhantemente simples e de baixíssimo custo, a ideia otimiza o intervalo entre a chegada na unidade e a consulta divulgando informações sobre temas diversos.
Três vezes por semana, de manhã e a tarde, as profissionais do Serviço Social do HC Argéria Serraglio Narciso e Suzy Meire Barbosa dos Santos e a estagiária Merilin Carvalho Ferreira carregam uma TV e um aparelho de DVD para uma das várias salas de espera. É o ''Projeto Sala de Espera'', que tem o objetivo de repassar informações sobre direitos sociais a pacientes e acompanhantes. ''Percebemos que muitos usuários não tinham noção de direitos básicos. Decidimos, então, ir até essa demanda e atender essas pessoas que não tinham acesso às informações'', explicou Argéria. A assistente social complementou que o conteúdo é adaptado de acordo com o perfil dos usuários de cada setor do AHC.
Para facilitar a compreensão sobre direitos previdenciários, por exemplo, as assistentes produziram um vídeo de oito minutos com perguntas mais frequentes e as respostas. Após a exibição, os participantes podem tirar outras dúvidas. ''Temos uma aceitação muito boa. Percebemos que o que falta muito são informações básicas das instituições para a população, embora a gente atenda também casos singulares, que dependem de um maior levantamento de dados'', relatou Suzi. Com isso, destaca, o setor de Serviço Social acaba gerando demandas tanto para o setor quanto para outros setores e instituições públicas. A média é de cerca de 300 participantes por mês.
A repercussão entre os usuários não poderia ser melhor. A FOLHA acompanhou um encontro e comprovou que o projeto oferece uma ajuda simples mas essencial para os usuários. O pescador aposentado Osmar Terkeli tirou várias dúvidas sobre sua pensão por invalidez, cujo valor teria diminuído em 40%, e ainda teve atendimento individualizado após o encontro. ''Vim acompanhar minha mulher, que é paciente, e já tirei um monte de dúvidas sem precisar ir no INSS'', comemorou. ''Para a gente, é complicado tirar dúvida por telefone e ir lá fica mais difícil ainda. E nesta palestra elas me esclarecem muitas dúvidas'', afirmou a dona de casa Rita Pequeno, que acompanhava o marido.

mockup