Nem toda criança tem a oportunidade festejar o seu dia, mas quando a carência de um encontra a empatia do outro, a comemoração acontece. Para este feriado (12), algumas pessoas se mobilizaram na arrecadação de brinquedos, doces e alimentos para tornar o dia mais alegre para aqueles pequenos que não teriam a oportunidade comemorar a própria infância.

MOTOCLUBES

Neste sábado, aproximadamente 50 pessoas de dois motoclubes distribuem presentes para crianças no jardim Campos Verdes, em Londrina, e jardim Londriville, em Cambé, além de fazerem a festa na zona rural, no Conjunto Saltinho, em Londrina, e no Patrimônio Caramuru, em Rolândia.

Lumberjacks Brasil e Barak Trike Clube se uniram para arrecadar brinquedos, distribuir e brincar com as crianças. “Além do amor pela moto e estrada, nosso objetivo é a caridade e amor ao próximo. Desde o início da nossa fundação isso ficou muito explícito”, explica Walace Góis, 41, um dos integrantes do Lumberjacks Brasil.

Os motoclubes apoiam ongs e entidades da Região de Londrina, mostrando que a cara de mau não assusta ninguém. “Os motoclubes não são bem vistos pela sociedade, mas a gente está sempre fazendo um pouquinho, sempre ajudando”, afirma.

Para ele, mais importante que o brinquedo é doar o tempo para que essas crianças curtam a infância e o dia como merecem. “Tem criança que só ganha essa atenção duas ou três vezes no ano, às vezes está em situação difícil em casa”, destaca. “Essas ações servem como exemplo para que toda a população veja que é possível fazer, não precisa ter dinheiro ou influência, basta sair de casa e ir dar um abraço, isso é caridade”, acrescenta.

JARDIM TOKIO

E quem disse que precisa muita gente? A diarista Nedes Aparecida Camargo, 50, faz a festa para crianças com dinheiro próprio e com arrecadação nas casas em que ela trabalha. A ação não é isolada, há pelo menos 15 anos ela promove a festa no Dia das Crianças e no Natal. Neste ano, ela distribui roupas, tênis e brinquedos para pelo menos 75 crianças de famílias carentes.

“Você não precisa ter muito, basta ter atitude, todo mundo pode ter o seu projeto, basta querer”, diz. Fala do que conhece, pois ela já passou por situações difíceis para sustentar uma casa com seis filhos. Um deles, escrevia a carta para o Papai Noel dos Correios todos os anos pedindo por um tênis que nunca veio, foi então que fez a promessa. “Eu disse: ‘meu filho, quando vocês crescerem e eu tiver melhor, eu vou fazer projeto para criança para doar roupa, calçado, brinquedo. Aí comecei com poucas crianças, pegando uma ou duas, agora são 75”, orgulha-se.

Para cumprir a promessa, ela guarda dinheiro todos os anos para fazer a alegria dos pequenos em famílias que ela já conhece a situação social e financeira. “Foi uma batalha chegar aqui, passei fome para dar aos filhos e teve época que eu saí pedindo e fui muito ajudada. Então, eu acho que esse é um projeto bom, traz felicidades para as crianças, elas ficam felizes e eu também. Enquanto eu puder fazer, vou fazer”, afirma.

Festa tradicional comemora sem brinquedos

No União da Vitória (Sul), a festa é tradicional. Desde 1992, Joanita Lopes da Silva, 59, organiza a ação no quintal da própria casa. “Faz 27 anos que nós fazemos. Tem pais que trazem seus filhos hoje que receberam presentes quando eram crianças”, comentou durante a festa. Mas este ano algo não saiu como esperado, a família não conseguiu arrecadar os brinquedos. “Passamos por muita dificuldade, bem fraco mesmo. Nós só conseguimos ingredientes para o lanche, refrigerante e bolo, estamos chateados, porque dessa vez não temos um brinquedo para distribuir”, lamentou.

Joanita Lopes da Silva promove a festa há 27 anos
Joanita Lopes da Silva promove a festa há 27 anos | Foto: Lais Taine

Mesmo assim, os moradores da região participaram. Na tarde deste sábado, pais e crianças faziam fila na calçada da casa da anfitriã para receber o hot dog e refrigerante. Angelita Francisco, 39, levou a filha Larissa, de 11, para aproveitar. “A gente sempre participa, as crianças gostam. Elas ficam felizes de virem aqui”, comenta a diarista. Para a filha, a festa deixa o dia mais especial. “Eu acho legal, venho com a minha família, porque eu brinco e os lanches que têm são muito bons”, revelou.

Angelita Francisco levou a filha Larissa, de 11 anos, para comemorar
Angelita Francisco levou a filha Larissa, de 11 anos, para comemorar | Foto: Lais Taine

Ivone Alves, 40, mora na mesma rua, mas é a primeira vez que participa da festa. “O pessoal avisou que teria a festa, então eu vim trazer a minha filha. Nós duas estávamos sozinhas em casa, achei que seria legal trazê-la para brincar com outras crianças”, contou. Neste ano, a filha Yasmin, 8, não recebeu brinquedo, mas o fato de estar na festa já fez o seu dia mais alegre. “É diferente, tem bastante coisa aqui, é a primeira vez que eu vim, mas achei legal, estou gostando”, comentou.

Ivone e Yasmin, de 8 anos, participaram da festa
Ivone e Yasmin, de 8 anos, participaram da festa | Foto: Lais Taine

Para organizar tudo, é preciso ter um batalhão dando apoio. Ana Cláudia de Oliveira, 25, sobrinha de Joanita, participa desde 2008 com a tia. “A gente faz, tem tio, primo, sobrinhos aqui. É tradição dela, ela começou sozinha e depois as pessoas foram aderindo, a gente também não deixa mais passar”, falou.

A festa contou com distribuição de lanches, refrigerantes e bolos
A festa contou com distribuição de lanches, refrigerantes e bolos | Foto: Lais Taine

Apesar da participação da família e da comunidade, a falta de arrecadação de presentes preocupa a dona da festa, pois o trabalho também é realizado no Natal e Joanita teme que a situação se repita no final do ano. “Mesmo que não fosse brinquedo, seria bom conseguir arrecadar roupas ou panetones, porque tem criança que não tem nada aqui”, comentou. Mesmo assim, comemora a realização da festa. “Mais um ano a gente venceu, essa noite eu vou deitar e dormir em paz”, suspirou.

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