'Ações podem interferir negativamente na evolução'
''A formação do filho depende da atitude tomada pelo pai''. A frase é mestre em Psicologia Educacional, José Antonio Lima. Segundo ele, o aprendizado tem uma série de abordagens, mas uma das formas de aprender é na relação com o outro. ''No cotidiano se ensina, se educa. A mãe pode fazer o que quer porque o filho é dela, mas quando dá o sutiã, o batom e o sapato de salto para a filha pequena deve se perguntar o que espera daquela criança'', explicou.
O professor defende que a sociedade vive uma inversão de valores morais ''e a moral, por sua vez, é construída nos hábitos cotidianos''. Ele afirma que aos seis ou sete anos a criança está em formação, inclusive dos valores morais. ''Nesta idade a criança não sabe se é legal ter seios antes do tempo, não sabe exatamente para que usar maquiagem, porque são itens que não fazem parte da fase atual de desenvolvimento dela'', disse Lima, diretor geral pedagógico do Colégio Universitário.
Para ele, os pais devem deixar a criança ser criança. ''Há pesquisas que mostram que 88% de nós é aprendizagem e 12% é herança genética, isso significa que somos aquilo que aprendemos'', destacou. Além da questão relacionada ao desenvolvimento, o professor considera esta situação preocupante porque uma criança ''miniadulta'' pode despertar olhares maliciosos. ''Não queremos criar uma receita de como educar, cada pai tem que ter a liberdade de autoconduta, a nossa preocupação é que algumas ações podem interferir negativamente na evolução da criança'', afirmou.
Para ele, o fato de alguns pais darem para a criança tudo que elas pedem está relacionado à compensação do pouco tempo que eles passam juntos. ''Em geral os pais se sentem culpados por ficarem tanto tempo distantes dos filhos, por isso, nos poucos momentos juntos acabam fazendo todas as vontades da criança'', disse. Lima completou que os pais sabem que esta não é uma prática correta, mas acaba sendo cômoda. ''Chega uma hora que eles nâo sabem mais o que fazer porque a criança começa a apresentar problemas na escola e com todos que a cercam. Chega um certo momento que fica difícil contornar a situação'', explicou.
Lima finalizou dizendo que os pais devem assumir primeiro o papel de pais e depois de amigos. ''Aquele que coloca a amizade em primeiro lugar pode fazer a educação perder o sentido. Pai tem que ter autoridade e responsabilidade antes de ser amigo'', concluiu. (M.A.)





