Ações pedem reintegração de terrenos
Osmani Costa
Mário CésarInegociávelSem-teto no jardim São Rafael: Prefeitura diz que não aceitará invasão de terrenos públicosO secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Londrina, Eduardo Duarte Ferreira, disse na tarde de ontem que está checando os dados e montando as ações para pedir, na Justiça, a reintegração de posse das duas áreas públicas invadidas por dezenas de famílias de sem-teto durante o período de Carnaval.
A primeira invasão ocorreu, sábado, no fundo de vale do conjunto habitacional Ilda Mandarino (zona norte). Cerca de 15 famílias cortaram pés de banana, pequenas árvores e levantaram barracos de madeira e lonas plásticas próximos às margens do ribeirão Lindóia. Ontem, já passava de 50 o número de barracos no local.
A segunda ocupação aconteceu na madrugada de domingo, quando 25 famílias entraram em um terreno baldio entre o Jardim São Rafael e as vilas Fraternidade e Ricardo (zona leste). Na área - uma antiga pedreira que virou depósito clandestino de lixo - ontem já estavam levantados mais de 50 barracos.
Os sem-teto alegam que estão desempregados e não conseguem mais pagar o aluguel residencial em bairros próximos das áreas invadidas. Os barracos não contam com água enganada, energia elétrica ou instalações sanitárias. As famílias - com muitas crianças - estão convivendo com a lama provocada pelas chuvas que caíram nos últimos dias e usam a água de minas e córregos poluídos.
Na tarde de ontem, o diretor de Patrimônio da Secretaria de Administração da Prefeitura, Wilhians Pereira Cardoso, esteve vistoriando a área ocupada no jardim São Rafael. Ele conversou com os sem-teto e foi direto na resposta: Estamos fazendo um levantamento inicial. Mas se comprovado que a área pertence à Prefeitura, certamente vamos pedir a reintegração de posse. Sabemos das dificuldades das famílias, mas invadir não é um caminho correto para resolver o problema.
O secretário Eduardo Ferreira diz que essa é uma orientação definitiva da atual administração sobre as invasões de fundos de vales e áreas públicas. Não há negociação. Vamos resolver via judicial, pedindo a urgente reintegração de posse, por mais antipática que seja essa medida. É melhor do que ficar enganando as famílias, sem resolver o problema. Nessas áreas, não há a possibilidade legal para edificação de moradias. Portanto, os invasores terão que ser assentados em outro local.
Ele lembra que o encaminhamento para a solução do problema de moradia das famílias invasoras será dado através do cadastramento e fila de espera da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), que já foi acionada para iniciar o levantamento das condições sociais dos sem-teto.





