O presidente da CMTU, Wilson Sella, discordou do argumento de que o fato da Companhia ser uma entidade de economia mista impede que ela fixe reajustes de tarifas de serviços públicos. ''Somos uma espécie de agência reguladora, e em todo o país existe este modelo. Em São Paulo, em Curitiba. Eu não sei aonde ele (Sogaiar) quer chegar. Ele poderia ter procurado discutir a questão diretamente com o poder executivo, sempre tivemos uma boa relação com o Ministério Público. Não havia necessidade de ação'', disse Sella.
Ele afirmou que está convencido de que os argumentos do promotor ''não têm fundamento'' e que a avaliação da Procuradoria do município já resolveu a questão. Sella também disse que não se preocupa com a alegação de Sogaiar de que a participação acionária da TCGL na CMTU pressupõe um conflito de interesses. ''A porcentagem da TCGL é muito pequena. Não demos atenção a esse assunto durante as discussões do reajuste porque é algo irrelevante. A CMTU existe há dez anos, só agora descobriram isso? A presença da TCGL é legal e legítima'', afirmou o presidente.
Sella afirmou ter tomado conhecimento da partipação da empresa no rol de acionistas apenas ontem. Depois de uma reunião com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (ver texto nesta página), Sella mudou o tom do discurso e anunciou que vai pedir um parecer da assessoria jurídica da CMTU para verificar a questão sobre os aspectos ''éticos e morais''. Outro ponto a ser levantado é se a empresa teria condições legais de entrar em outros processos de licitação do transporte coletivo.
O diretor-geral da TCGL, Gildalmo de Mendonça, disse que a empresa tem apenas 10 entre as mais de 743 mil ações da CMTU. ''É uma participação inexpressiva'', comentou. ''Não temos direito a voto, a nenhuma vantagem. Nesses seis anos em que estou à frente da TCGL, nunca recebemos nenhum benefício por causa dessas ações'', minimiza o diretor.
Mendonça adiantou também que a assessoria jurídica da empresa está estudando o caso para ver se isso pode impedir a TCGL de participar de novas licitações e acenou para a possibilidade de comercializar o lote de ações da empresa.
A direção da Francovig afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que caso o reajuste seja revogado, as duas empresas de transporte coletivo da cidade não teriam condições de honrar o compromisso de reposição salarial de seus funcionários.
Ontem, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol) realizou três assembléias para informar a situação aos empregados das empresas de ônibus. ''Lembramos a todos que existe esta nuvem negra do Ministério Público pairando sobre as negociações da reposição salarial. Caso o aumento da passagem seja descartado, vamos conversar com as empresas e com a Prefeitura para ver de onde virá o dinheiro para o reajuste dos salários. Se este compromisso (do reajuste salarial) não for honrado, entramos em greve'', disse João Batista da Silva, presidente do Sinttrol. (Colaborou Adriana Savicki)

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