A campanha Setembro Lilás, promovida pelo INME (Instituto Não Me Esqueças) em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz), segue em Londrina com uma programação gratuita voltada à conscientização sobre as demências. Entre as ações está uma manhã inteira (das 7h30 às 12h) de atividades no Aterro do Lago Igapó, no domingo (21), Dia Mundial de Conscientização sobre Alzheimer.

A programação começa com aula de ioga e segue com dança, alongamento e gincana, além de rodas de conversa com especialistas e testes gratuitos de saúde, como rastreio cognitivo, glicemia e aferição de pressão arterial.

Estão previstas duas rodas de conversa: às 9h, a psicóloga Fernanda Figueiredo fala sobre “Envelhecimento ativo e autocuidado”. Às 10h, a musicoterapeuta Paola Rodrigues da Silva aborda os efeitos terapêuticos da música no cotidiano.

A programação completa e informações sobre o Setembro Lilás em todo o Brasil estão disponíveis em setembrolilas.org.br e pelo WhatsApp (43) 99155-5747.

Terapias não medicamentosas

A campanha deste ano destaca o papel central das terapias não medicamentosas no cuidado em demências. O Relatório Mundial de Alzheimer 2025, publicado anualmente pela Alzheimer’s Disease International, traz um levantamento internacional sobre o tema, incluindo o Brasil. A revisão científica analisou quase 200 estudos e encontrou fortes evidências de eficácia em áreas como cognição, funcionalidade e bem-estar psicológico.

O Instituto Não Me Esqueças é uma das poucas organizações no Brasil a oferecer atendimento gratuito e contínuo com foco exclusivo em terapias não farmacológicas. Criado há oito anos, o INME atende hoje 130 famílias por meio de uma equipe multidisciplinar composta por psicóloga, fisioterapeutas, pedagoga, musicoterapeuta e voluntários.

Crenças errôneas

A falta de conhecimento sobre as demências continua sendo uma das principais barreiras para a prevenção e o manejo da doença. A campanha Setembro Lilás incentiva a sociedade a buscar informações confiáveis, com a mensagem “Pergunte sobre Alzheimer. Pergunte sobre demência”.

No Brasil são mais de 2 milhões de casos, mas o diagnóstico ainda é um grande desafio. Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência (Renade), quase 80% não são reconhecidos formalmente. Essa realidade alarmante é resultado de uma série de obstáculos, incluindo a carência de profissionais de saúde treinados para identificar a doença e o acesso limitado a serviços especializados.

A persistência de crenças errôneas sobre o envelhecimento também contribui para a invisibilidade do Alzheimer e outras demências, com seus sintomas frequentemente interpretados como uma consequência natural da idade. Além disso, mesmo após o diagnóstico, a maioria das pessoas não recebe suporte para reabilitação, etapa crucial para retardar as perdas funcionais e manter a autonomia por mais tempo.

Desigualdades na demência

O impacto das demências não afeta todos os grupos populacionais da mesma forma, conforme as informações reunidas na página oficial da campanha, baseadas em dados oficiais. As mulheres, por exemplo, representam a maioria dos casos da doença. No Brasil, a prevalência é de 9,1% entre mulheres e 7,7% entre homens. Além da maior expectativa de vida, essa disparidade pode ser influenciada por questões hormonais, como a redução de estrogênio após a menopausa, e pela sobrecarga do trabalho não remunerado, incluindo o cuidado de familiares com doenças crônicas.

Entre a população negra, há uma maior prevalência de fatores de risco como hipertensão e diabetes, mas ainda não existem dados nacionais consolidados sobre a ocorrência de demência. A falta de estatísticas específicas dificulta a formulação de políticas públicas e pode ampliar as iniquidades.

Fatores genéticos não são os responsáveis por essas diferenças de prevalência, o que sugere que elas estão relacionadas a desigualdades sociais. Para os povos indígenas, o Relatório Nacional sobre a Demência (Renade) aponta a ausência de estudos nacionais sobre o tema. Mudanças no modo de vida, vulnerabilidade social e barreiras culturais e geográficas podem aumentar os riscos, mas não há levantamentos que confirmem essa relação.

A população LGBTQIA+ também permanece invisível nas estatísticas brasileiras. Pesquisas internacionais indicam maior exposição a fatores como estresse crônico, depressão, isolamento social e doenças cardiovasculares. Nos Estados Unidos, estudos estimam que entre 18% e 21% dos adultos trans com mais de 65 anos vivem com demência, contra 12% a 13% dos cisgêneros na mesma faixa etária.

Para a presidente da Febraz, Elaine Mateus, os dados disponíveis já mostram um cenário crítico, e a ausência de informações é igualmente reveladora. “A desinformação não se resume aos mitos sobre a demência, mas também ao grave fato de não enxergarmos grupos inteiros da população nos levantamentos”, declara.

(Com informações da assessoria do INME)

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