Acil quer substituir esmola por tíquete-refeição
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Lucília Okamura Londrina 
Ao invés de dar esmolas, a população de Londrina será estimulada a dar tíquetes de alimentação às crianças de rua. Este é o objetivo do projeto Quentinha, que a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) pretende implantar na Cidade. O projeto foi apresentado ontem à tarde, na sede da Acil, a entidades ligadas ao trabalho de crianças e adolescentes.
O projeto, que já existe em algumas cidades brasileiras, como Belo Horizonte (MG) e Porto Velho (RO), consiste basicamente em vender tíquetes aos lojistas por um preço médio de R$ 0,25. O comerciante, por sua vez, revende à população pelo mesmo preço. A população distribui entre as crianças e adolescentes carentes. Com quatro tíquetes, o menor carente pode ir a qualquer um dos restaurantes conveniados no projeto e receber uma refeição.
O presidente da Acil, Abílio Medeiros, ressalta que não adianta apenas pedir à população parar de dar esmolas, é preciso oferecer algo em troca. É difícil falar não a uma criança que fica pedindo esmolas, mesmo sabendo que tem um adulto por trás que ficará com o dinheiro. Dando o tíquete, as pessoas estarão contribuindo com a alimentação, afirma. Segundo ele, em Belo Horizonte e Porto Velho, o projeto tem dado bons resultados.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Solange Novaes da Silva Vicentin, aprova a idéia. O nosso projeto é tirar a criança da rua e para isso é preciso acabar com a esmola, relata. Na sua opinião, o projeto é uma forma de desestimular a doação de esmolas.
Já o juiz da Vara da Infância e Juventude, Dimas Ortêncio de Mello, acredita que não existirá o risco de os tíquetes serem comercializados, a exemplo do que ocorre atualmente com os passes de ônibus. Ele alega que o tíquete servirá apenas aos menores e que os proprietários de restaurantes conveniados farão a troca diretamente com a Acil.
O modelo de projeto apresentando ontem, durante a reunião, é mesmo implantado em outras cidades, a secretária municipal de Ação Social, Maria Goettel do Nascimento, ressalta ser necessário adaptá-lo à realidade de Londrina. O projeto terá a cara de Londrina, afirma, explicando que a secretaria levantará dados para traçar o perfil das pessoas a que se destinam os tíquetes do projeto Quentinha.
Abílio Medeiros diz que a Acil entrará também em contato com agências de publicidade para verificar como poderia ser desenvolvida uma campanha junto à população, pedindo que não as pessoas não dêeem esmolas.


