A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) enviou ontem uma carta à prefeitura, exigindo rigor na concessão do alvará para a instalação de um novo camelódromo. O presidente da entidade, José Augusto Rapcham, acredita que o novo negócio, tornado público anteontem, poderia provocar um ''empobrecimento econômico, ideológico e cultural'' do segmento. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a prefeitura garantem o transcorrer normal do processo com a exigência de todos os trâmites legais.
Londrina já conta com um camelódromo o Shopping Popular instalado na área Central e administrado pela ONG Canaã, formada por ex-vendedores ambulantes. O novo estabelecimento, que se chamaria ''Camelódromo Central'', é uma iniciativa da ONG Trabalho para Todos, composta por outros 300 ambulantes.
Segundo o presidente da entidade, Emerson Lafayette Dias Soares, as negociações para o aluguel da antiga Galeria Augustus, no Calçadão, já estão quase concluídas. O local abriga hoje 10 empresários. Segundo Soares, o contrato de aluguel pré-estabelecido com os donos do imóvel reza que os atuais comerciantes têm prioridade na manutenção dos negócios. ''Mas eles terão que se enquadrar nos padrões da ONG, que vai liberar espaços de 4 metros quadrados para cada um'', disse.
O pedido de concessão do alvará, de acordo com Soares, também já foi oficializado junto à secretaria municipal de Fazenda. Funcionários da administração, no entanto, não encontraram registros de pedidos de alvará em nome da ONG.
A organização também prevê casos de inadimplência e, para se precaver, teria a intenção de adiantar 10 meses de aluguel. ''Também já temos fiador para o contrato e garantimos que não é um organismo público'', disse Soares, referindo-se ao caso Shopping Popular, fechado duas vezes por falta de pagamento do condomínio, depois de ser impedida pela Justiça de contar com a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) como fiadora.
Um dos sócios proprietários da Galeria Augustus, a empresária Rosane Rotondo, negou que as negociações estejam em fase de elaboração do contrato. ''Conversamos com a ONG no último sábado. Metade da galeria está ociosa e é claro que temos a intenção de alugar. Mas não há nada oficial'', disse. ''Eles realmente me fizeram uma proposta para adiantamento de aluguel, mas não aceitamos. Queremos um fiador para o contrato.''
''Os camelódromos se sustentam na venda de produtos de origem não comprovada, na informalidade e na falsificação. É um tripé visto com grande preocupação pela Associação Comercial'', disse Rapcham.
''Percebemos a preocupação dos ambulantes em legalizar o negócio. Vamos fazer todas as exigências normais para a concessão de um alvará e, como de costume, ele só será concedido se houver condições para isso'', afirmou o diretor de Trânsito e Fiscalização da CMTU, Álvaro Grotti Júnior. ''O novo Camelódromo vai sustentar 300 famílias. Não temos a intenção de fazer nada ilegal'', completou Soares.

mockup