A atuação dos cambistas que comercializam vales-transporte no Terminal de Transporte Coletivo Urbano de Londrina já está incomodando até a Associação Comercial e Industrial da cidade. De acordo com o presidente da entidade, Rubens Benedito Augusto, a Acil vai agir: ''Isto é um absurdo. Estou oficiando carta para a Prefeitura e a delegacia do trabalho, pedindo providências. Tem que haver uma fiscalização'', cobra. Segundo ele, o passe do trabalhador deveria ser utilizado de maneira correta e não para levar vantagem.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) sabe da ação dos cambistas, fato que já foi denunciado pela FOLHA em reportagens anteriores. O diretor da CMTU, Wilson Santos de Jesus, diz que não há como inibir a ação dos vendedores clandestinos mas informou que 31 cartões foram apreendidos por seguranças no terminal no final do ano passado.
Em plena luz do dia, cerca de 40 cambistas atuam livremente na área externa ao Terminal Central de Londrina. A reportagem da Folha constatou que os cambistas compram cada passagem de vale-transporte pelo valor de um real. Logo em seguida, de posse dos cartões, os atravessadores negociam os créditos com usuários comuns no valor de R$ 1,75 cada passagem. Dessa forma, chegam a faturar até R$ 400,00 por dia.
Depois de vender todos os créditos, o cambista retorna o cartão para o dono e paga em dinheiro por todas as unidades. Em média, cada cartão tem 50 unidades de passagem. ''Num dia dá para descarregar vários cartões'', disse um cambista.
O gerente da empresa de ônibus Grande Londrina, Gil Mendonça, informou que 65% dos 90 mil usuários utilizam o vale-transporte. ''Somos veemente contra esta situação'', protesta o gerente, ao ser indagado sobre a ação dos cambistas, que utilizam uma cesta plástica num cabo de vassoura para pegar o cartão de quem já passou na catraca do Terminal. ''A pedido da prefeitura, chegamos a cercar a catraca com grades, porém essas pessoas sempre acabam burlando'', lamentou.
A venda do vale-transporte é considerada crime federal, passível de processo e, em caso de condenação, prisão.

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