Lucilia Okamura
De Londrina
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) ingressou ontem na Justiça com uma interpelação contra o presidente da Câmara de Vereadores, Renato Araújo (PPB). A entidade considera que foi ofendida por um pronunciamento feito pelo vereador, durante sessão realizada no mês passado. Araújo disse que a Acil era ‘puxa-saco’ do Executivo.
Os advogados da Acil, Fabrício Massi Salla e Leandro Ambrosio Alfieri, deram entrada ao pedido de interpelação ontem à tarde no Fórum. A entidade quer que a Justiça determine a intimação de Araújo para que ele publique em um jornal da cidade anúncio contendo retratação pública e formal.
Segundo Alfieri, o presidente da Câmara tem 48 horas, após ser citado, para se retratar publicamente. Caso contrário, a entidade ingressará com uma ação de indenização por danos morais.
A sessão polêmica, que resultou na interpelação aconteceu no dia 19 de outubro, quando seria votada a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar supostas irregularidade na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Representantes de diversas entidades compareceram na sessão para pressionar os vereadores a aprovarem a CEI.
Durante a sessão, Araújo fez um pronunciamento criticando a postura de várias entidades. Ele afirmou: ‘‘A Acil que até ontem ficava puxando o saco do Executivo...’’. Ontem à tarde, o presidente da Câmara confirmou a frase, mas disse que a expressão não é ofensiva. ‘‘Tem ofensa nisso?’’, questionou. Ele citou ainda o artigo 29 da Constituição, que dá prerrogativa ao legislador de se pronunciar dentro da sua jurisdição.
Segundo Araújo, o pronunciamento foi uma resposta aos ataques que a Câmara vinha sofrendo. ‘‘Ele (Valter Orsi, presidente da Acil) acusou a Câmara de conivente e omissa’’, disse. ‘‘Por que ele vem atirando e não quer receber resposta?’’.
O presidente da Câmara adiantou ontem que não pretende fazer uma retratação pública. ‘‘Jamais pedirei desculpas em uma coisa que não fiz de errado’’, garantiu.
Orsi reafirmou que a Acil se sentiu agredida com o pronunciamento. ‘‘Todos os 18 diretores acham que a expressão foi ofensiva’’, ressaltou. ‘‘Se ele (Araújo) acha que não, que venha a público se explicar’’, disse.
Sobre o comentário de que a Câmara era omissa e conivente, Orsi disse que, assim como outras entidades, a Acil vinha cobrando dos vereadores a instauração da CEI. ‘‘E eles relutavam em implantar a comissão e mostramos isso à sociedade’’.
Orsi informou que as entidades organizadas irão acompanhar os trabalhos da CEI e, além de cobrar o andamento, vão se colocar à disposição para ajudar no que for preciso.

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