Pinhais - Aproximadamente 8 mil litros de ácido clorídrico vazaram, ontem de manhã, de um dos tanques da Aludrol Indústria Química Ltda., localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Três pessoas ficaram intoxicadas e foram encaminhadas ao Hospital Cajuru. O acidente ocorreu por volta das 10 horas e deixou a população local em pânico. Sem saber de que forma reduzir o impacto do ácido clorídrico no ambiente, um funcionário da empresa jogou água sobre o produto. A reação provocada pelo contato com a água faz o ácido clorídrico eliminar gases tóxicos, que agravaram ainda mais a situação na região.
A primeira medida tomada pelo Corpo de Bombeiros ao chegar no local foi isolar a área num perímetro de 100 metros e retirar todos os moradores das casas ao redor. Apesar do trabalho de contenção do líquido, grande parte do ácido chegou a escorrer para dentro do Rio Atuba.
Os bombeiros ainda não sabiam afirmar, ontem, quais as causas do acidente. A Aludrol, que funciona em um barracão na Rua Inajá, 823, na Vila Emiliano Perneta, fabrica o princípio ativo usado pelas indústrias cosméticas na fabricação de desodorantes. A empresa trabalha com ácido clorídrico e alumínio que, em contato, formam um sal responsável pelas características antibacterianas e antitranspirantes dos desodorantes. O proprietário da Aludrol, Paulo Roberto Faria, garantiu que a empresa está com toda a documentação em dia. ‘‘Nós temos o licenciamento do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e os bombeiros estiveram aqui há dois dias fazendo vistoria para renovar nossa licença’’, afirmou.
O diretor do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Pinhais, Rasca Rodrigues, acredita, no entanto, que houve negligência da empresa ou do IAP ao conceder a licença, uma vez que alguns mecanismos da legislação ambiental não foram cumpridos. ‘‘Por lei, a empresa que trabalha com produtos perigosos deve ter uma piscina de contenção em volta dos tanques com capacidade pelo menos 10% superior ao tamanho dos tanques, capaz de conter o produto em caso de acidente’’, disse.
Para conter o líquido, a prefeitura teve que fazer algumas valas ao redor do barracão que abriga os tanques. Em seguida, foi jogado cal sobre o líquido, para neutralizar o efeito do ácido. Mesmo assim, todos reclamavam do mau cheiro e mau estar provocados. ‘‘Os bombeiros simplesmente nos proibiram de sair de casa e não deixam ninguém que more mais perto chegar a suas casas’’, contava assustada a moradora Jacira Maria Estrizer, que reclamava de forte dor de cabeça. ‘‘Os efeitos imediatos são de ardência nos olhos e nariz, mas é preciso verificar o que pode acontecer depois para o ambiente’’, dizia Rodrigues.
O aposentado Valdir José Flores, que mora a cerca de 100 metros no local, disse que esta situação é constante desde a instalação da indústria. ‘‘Sai uma fumaça branca do barracão sempre, de dia, de noite, domingo... O cheiro é sempre ruim, deixando o nariz ardendo e uma sensação de boca seca.’’ Ele, inclusive, já estava pensando em organizar um abaixo-assinado para pedir a retirada da indústria. Há aproximadamente um ano a empresa passou por outro acidente. Um reator explodiu e parte do telhado chegou a ser totalmente destruído.

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