Quedas em casa, batidas leves de carro, tombos de bicicleta. Acidentes aparentemente sem maiores consequências podem, na verdade, causar grandes transtornos. É que muitas pessoas, achando que ''não foi nada'', deixam de procurar socorro médico e podem ter a situação agravada.
O médico e assessor de urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Alessandro Sella de Godoy Bueno, explica que muitas vezes o trauma não deixa marcas externas, mas pode ter sido grave, em razão do impacto sofrido durante o acidente. ''A pessoa pode estar usando o cinto de segurança, mas há uma parada brusca e pela energia envolvida no movimento os órgãos podem se machucar. O cérebro pode bater contra a calota craniana e sofrer danos'', exemplifica.
''Outro problema é que muitos não chamam socorro por estarem com problemas de documentação ou estão embriagados e fora de suas condições normais de posicionamento do que estão sentindo'', ressalta o médico. Ruptura de ligamentos, de vasos sanguíneos, de baço, traumatismo craniano são algumas das lesões que podem ocorrer, não serem aparentes e se não tratadas a tempo, levar à morte.
Segundo Bueno, os sintomas costumam se manifestar em 24 horas. Em caso de traumatismo craniano os sinais são sonolência profunda, vômito, dor de cabeça intensa, alteração de comportamento, confusão mental, falta de ar. A criança pode ficar com hiperirritabilidade.
O traumatismo toráxico provoca falta de ar, enfisema subcutâneo - que é a sensação de bolhas de ar na pele quando se aperta -, dores abdominais, palidez. Ele ressalta que a criança pode ter traumas graves e não aparentar, porque seu corpo é mais elástico e portanto absorve melhor a energia. ''É comum ter um trauma toráxico grave e não ter nenhuma costela quebrada, o adulto geralmente tem fratura de costela porque é mais rijo'', explica.
Não são apenas acidentes de carro que provocam traumas. Acidentes domésticos como quedas em banheiro, quarto, quedas de bicicleta também podem ser graves.
O médico alerta sobre a importância de se prestar atenção nos idosos, que muitas vezes cai, bate a cabeça e não fala nada. Passados dez dias começa a ficar mais sonolento, confuso. ''Eles têm um tempo de resposta mais lento, já que o espaço (para o cérebro) na caixa craniana é maior. O mesmo acontece com crianças muito pequenas, que têm o cérebro ainda pequeno'', explica.

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