Acidentes são maior causa de morte infantil
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sexta-feira, 07 de novembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Todos os anos, quase seis mil crianças na faixa etária entre um e 14 anos morrem no Brasil vítimas de acidentes. No mesmo período, cerca 140 mil são hospitalizadas pelos mesmos motivos. Enquanto os números são altos, a percepção dos pais sobre os perigos reais de acidentes diminuem na mesma proporção.
A conclusão é de uma pesquisa realizada este ano pela Criança Segura, organização sem fins lucrativos que visa a prevenção do acidentes infantis. Desde ontem, representantes da organização estão em Curitiba para divulgar os dados do estudo e oferecer uma oficina com a intenção de evitar tragédias. "Queremos mobilizar as pessoas e multiplicar a idéia de prevenção de acidentes", explica Alessandra Françoisa, coordenadora do Programa de Formação de Mobilizadores da Criança Segura.
A pesquisa mostrou que acidentes de trânsito, afogamento, sufocamento, queimadura, quedas, intoxicação, entre outros, são as principais causas de morte infantil no Brasil, mesmo se comparados à outras causas, como doenças ou violência urbana. Por dia, 16 crianças morrem vítimas de acidentes. Enquanto isso, 380 ficam hospitalizadas.
Em 2005, ano-base do estudo, 5.808 crianças morreram no País vítimas de acidentes. O principal causador de óbitos é o trânsito, com 2.326 vítimas, seguido pelo afogamento (1.496 mortes) e pelo sufocamento (806). Também por causa de acidentes, 138.604 crianças foram hospitalizadas no mesmo ano. A principal causa são as quedas, com 75.504 vítimas.
Em contraponto aos dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), a Criança Segura realizou uma pesquisa qualitativa com as famílias para avaliar qual eram as principais preocupações dos pais.
Durante todo este ano, foram entrevistados 16 grupos de mães de crianças entre 0 e 14 anos, pertencentes às classes AB e CD, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba. Com as entrevistas realizadas, os pesquisadores puderam cruzar dados entre aquilo que preocupa os pais e o que acontece, de fato, na realidade.
O objetivo da análise é mostrar as diferenças entre a percepção e comportamento das mães em relação à acidentes e a realidade dos números. E foi justamente o que se concluiu: as mães desconhecem os dados sobre a incidência e a gravidade de acidentes. "Já tínhamos idéia do desconhecimento no dia-a-dia, mas não sabíamos que era tão forte", diz Alessandra.
Além disso, os acidentes são entendidos como acontecimentos isolados e menos graves que outras questões, como a violência. No entanto, enquanto cada criança vítima de violência é morta, seis vão a óbito por causa de acidentes. A proporção é maior no caso de hospitalizações: para cada criança internada vítima de violência, outras 23 são hospitalizadas vítimas de acidentes. "Para as mães, os acidentes não podem ser evitados. Não é assim. Com base nesses dados, queremos mudar nossas ações para ajudar na prevenção", explica Alessandra.


