Acidentes são comuns na profissão
Estatísticas levantadas no estudo com os motoboys de Londrina revelam que a ocorrência de acidentes é comum e está intimamente ligada à pressa exigida pelo trabalho. Dos 377 entrevistados, 39% declararam ter se envolvido em acidentes nos 12 meses anteriores à pesquisa (de setembro de 2004 até o mesmo período do ano seguinte).
Destes, 20% necessitaram de internação hospitalar e quase 11% se envolveram em mais de quatro acidentes somente no ano analisado.
É uma consequência previsível do excesso de velocidade adotada por esses profissionais: 55% admitiram trafegar acima de 80 km/hora em avenidas e 30% disseram ultrapassar o limite em ruas. A maioria dos acidentes ocorre no final do tarde. ''Uma das explicações é que nesse horário o motoboy tem que terminar as entregas para pegar outro serviço'', relaciona a professora Daniela Wosiack da Silva, autora da pesquisa.
Os potenciais riscos à saúde e à vida dos motoboys são acentuados por falhas de segurança. De acordo com o estudo, 24% dos profissionais confessaram o uso de celulares enquanto dirigem e mais da metade (53%) relatou usar capacetes sem proteção para mandíbula.
A reportagem viu vários exemplos no Centro de Londrina. ''A gente acredita que seria devido ao calor e à necessidade de apresentação nos locais de entrega. Mas não são argumentos muito plausíveis, perto do risco que a atitude oferece'', pondera a docente.
Números da Companhia de Trânsito de Londrina (Ciatran) mostram que motociclistas em geral estão entre as vítimas mais frequentes de acidentes na cidade. Dos 6.196 acidentes registrados em 2005, 30% envolveram motos. Destes, resultaram 20 dos 73 óbitos do período.
De janeiro a julho deste ano, 34,8% dos acidentes de trânsito ocorreram com motociclistas, dos quais 10 perderam a vida. Outros 721 ficaram feridos, contra 586 no mesmo período do ano passado. (V.N.)





