Acidentes e engavetamentos na BR-277 entre Curitiba e Ponta Grossa foram os responsáveis por uma fila de aproximadamente 10 quilômetros antes do pedágio de São Luiz do Purunã, sentido capital-interior, ontem de manhã. A situação se agravou porque não havia carros-guincho da Rodonorte suficientes para atender a todos, irritando muitos motoristas. Os carros permaneciam engavetados nas pistas, provocando filas imensas e as cancelas do pedágio chegaram a ser liberadas por 15 minutos, entre sete e oito horas da manhã, informou o Procon.
A Polícia Rodoviária Federal contabilizou a ocorrência de 20 acidentes só num raio de 20 quilômetros antes e depois da praça de pedágio de Luiz do Purunã, em função da intensa neblina. Atravessar esse trecho foi um verdadeiro martírio para quem decidiu viajar para o Interior do Estado. Anderson dos Santos Cirilo teve um problema mecânico no carro e ficou três horas parado na estrada, sem socorro. Ele foi atendido pelo cunhado Jaldeir Fontana Notário, que estava viajando em outro carro. Jaldeir estranhou o fato de o cunhado demorar e voltou para ver o que estava acontecendo. Sem alternativa, acorrentou os carros e chegou até a praça do pedágio para ver se conseguia socorro.
Jaldeir estava revoltado com a situação. Disse que saiu de casa às sete da manhã com a família para passar o feriado em Ibaiti e até as 11 horas, não sabia se ia conseguir seguir viagem. Ele culpou a praça do pedágio pelo seu transtorno. ‘‘ Não fosse essa fila e esse tumulto já teríamos tido socorro de outra forma’’, disparou. Jaldeir estava mais irritado ainda porque para socorrer o cunhado teve que pagar o pedágio três vezes, entre idas e vindas. Um funcionário da Rodonorte que não quis se identificar disse que eles não estavam dando conta de tanto acidente.
Os engavetamentos se sucediam logo após a praça de pedágio, provocando a irritação dos motoristas.‘‘Os funcionários da Rodonorte começaram a orientar os motoristas a procurar o posto da Polícia Rodoviária’’, denunciou Paulo Cesar Kuss. Ele estava indo para Maringá e considerou um absurdo a empresa se isentar da responsabilidade de socorrer os motoristas. O posto policial estava tulmutuado com a presença de tantos motoristas preenchendo as fichas de ocorrência. Euzita Neri Guimarães também estava revoltada com a situação. Disse que foi ao posto procurar socorro para o irmão que estava com o carro parado na pista, em decorrência de um engavetamento.
Para Gabriel Razzoto, a praça do pedágio estava funcionando ‘‘ como uma barragem’’. ‘‘ Eles estão aqui só para cobrar e não estão ajudando a gente’’, afirmou. Razzoto também estava no posto policial procurando por socorro. A dona de casa, Elizete Terezinha Folador disse que se arrependeu de viajar no feriado. ‘‘ Se soubesse que ia passar por esse drama tinha ficado em casa dormindo’’, disse. Elizete era uma das vítimas de engavetamento. Segundo ela seu martírio começou as 8 horas da manhã quando enfrentou a fila de 10 quilômetros e depois não conseguiu sair da estrada em função do acidente.

mockup