Do começo do ano até a manhã de ontem, foram registrados 257 acidentes na área urbana de Londrina, com 17 mortos. A maioria dos acidentes envolve crianças e idosos nas avenidas e ruas de maior movimento.
Para o comandante da Companhia de Trânsito de Londrina (Ciatran), capitão Sérgio Dalbem, há fatores a serem analisados para chegar à culpa dos atropelamentos. ‘‘Sempre que há atropelamento, a atitude comum é ver a culpa dos motoristas que excedem a velocidade e não conseguem evitar o acidente. Mas o pedestre é displicente, atravessa apressado as ruas, sem olhar para o lado, fora da faixa de segurança’’, apontou.
Segundo ele, muitos atropelamentos são provocados pelos pedestres que saem de repente da calçada para a rua, atrás de obstáculos como postes e árvores. ‘‘O motorista é pego de surpresa, pois não tinha visão do pedestre na calçada’’, comentou.
Para Dalbem, as campanhas de conscientização são importantes, mas não eficazes. Com relação às crianças, capitão Dalbem enfatizou a necessidade dos pais as ensinarem a se portar na rua, não deixando esta tarefa única e exclusivamente para as escolas. ‘‘O problema é conscietizar o usuário de rua, tanto quem anda nos carros, como aquele que anda a pé. Somente assim evitaremos os acidentes’’, ressaltou.
O mesmo problema é registrado pelo comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária, capitão Washington Alves da Rosa. Os pontos críticos estão nos perímetros urbanos da BR-369 em Apucarana, Arapongas, Londrina, Ibiporã e Jataizinho. Somente este mês, foram registrados três atropelamentos com dois feridos e dois mortos. Desde o início do ano foram 84 acidentes com 22 mortos.
‘‘As principais ocorrências envolvem indigentes e idosos e a maioria ocorre no perímetro urbano’’, comentou. Iniciativas como a realizada em Londrina, com a construção de passarelas na BR-369 e na PR-445, são fatores que ajudam a minimizar este problema. Mas, segundo ele, o principal causador de atropelamentos é o próprio pedestre.
‘‘As rodovias em perímetro urbano estão cheias de lombadas, o que até atrapalha o fluxo do trânsito. Mas é um mal necessário para acabar com os atropelamentos’’, ressaltou. Para o comandante, os acidentes nesses locais só terminarão quando forem construídos contornos nas cidades, desviando o tráfego pesado de áreas urbanizadas.