Acidentes fazem demanda por sangue aumentar
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
A hematologista do Hospital do Câncer de Londrina, Suelen Rodrigues Stallbaum, destacou que neste período do ano ocorrem muitos acidentes de trânsito e isso faz a demanda por sangue aumentar. "Precisamos de bolsas para cirurgia, às vezes o paciente tem hemorragia grave", observou. Ela acrescentou que não é só a doação comum de hemácias e plaquetas que faz falta. "Na minha área específica, que é a hematologia, os pacientes que têm leucemia aguda transfundem plaquetas dia sim e dia não. Quando se fala de transfusão a gente geralmente lembra das hemácias, mas as plaquetas é que fazem mais falta. Precisamos de doações específicas. Existe um tipo de doação que a gente chama de fenotipada, em que são observadas todas as características do doador, incluindo marcadores específicos. Eles são comparados com os de quem irá receber a doação e é realizada a transfusão específica para ele, para que o receptor não desenvolva anticorpos contra a doação", explicou. Por este motivo, em alguns casos, é aconselhável que o doador seja sempre o mesmo.
A profissional explicou que o consumo de bebida alcoólica é um dos fatores impeditivos para a doação nesta época do ano, mas não é o o principal. "Um dos fatores que mais impede é a limitação de menos de três parceiros sexuais no intervalo de seis meses. "Os doadores bons, que são pessoas mais jovens, nessa época do ano realizam passeios, festejam o Carnaval e acabam se relacionando com vários parceiros e temos muitos problemas em função disso", declarou.
O ciclo do sangue para realização da hemoterapia começa no momento da doação e finaliza com a transfusão. O doador é submetido a uma triagem e, se julgado apto, realiza-se a coleta, que pode ser de duas formas: ST (sangue total) ou aférese. A maneira mais comum é a ST, na qual o sangue é coletado em sua totalidade para uma bolsa contendo anticoagulante/conservantes. Em seguida, o ST passa por centrifugação. Na doação por aférese, o sangue é coletado e separado por centrifugação e filtração, retendo somente o componente desejado e retornando os demais componentes ao doador, tudo realizado ao mesmo tempo. Uma coleta por aférese contém oito vezes mais plaquetas que uma doação de ST. Em ambas as formas de doação, a coleta é realizada com um único doador por bolsa, em sistema fechado.
Após a coleta, o sangue passa por vários testes sorológicos para analisar se há a presença de vírus de doenças como HIV, hepatite B e C, sífilis, doença de Chagas, etc. Em seguida é realizada a triagem, com o objetivo de separar o sangue quanto ao tipo sanguíneo (A, B, AB e O) e o fator Rh (negativo ou positivo). É feita também uma pesquisa de anticorpos eritrocitários irregulares, entre outros procedimentos.
Tanto o sangue total quanto os hemocomponentes necessitam de conservação em temperatura adequada e constante, pois são produtos que se deterioram quando expostos a variações de temperatura inadequadas e podem sofrer contaminação bacteriana. Para que o armazenamento do sangue e seus componentes se deem de forma adequada, em equipamentos que controlam a temperatura na chamada cadeia de frio. (V.O.)


