Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (12) pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) mostra um aumento no número de mortes nas ruas de Londrina em 2020 comparado com o ano anterior. De acordo com o estudo “Vida no Trânsito é Vida que Segue”, o crescimento foi de 26%, passando de 35 óbitos em 2019 para 44 no ano passado.

Já nas rodovias federais e estaduais que cortam o perímetro urbano, houve queda de 5,63% no mesmo período, caindo de 36 para 23 a quantidade de mortes. A maioria das vítimas eram motociclistas (29), seguido das vítimas de atropelamento (19). As demais ocorrências fatais (19) resultaram da colisão entre veículos, choques contra anteparos e incidentes.

“Também observamos uma redução de 15% no número de acidentes em geral e de 17% no número de feridos. No entanto, o número de óbitos ficou na faixa de 5%, o que é muito pouco considerando que temos menos carros circulando durante a pandemia”, comentou o diretor de Trânsito da CMTU, major Sérgio Dalbem.

Para ele, a redução dos óbitos também deveria estar na margem de 15%. “Até o ano retrasado, os números da violência no trânsito eram bem parecidos, mas a partir de 2019 tivemos uma redução significativa, passando de 100 óbitos no ano para 71. Mas nós estamos trabalhando dentro da visão de zero óbitos no trânsito, que é uma proposta do Programa Vida no Trânsito lançado em 2011 pela ONU através da OMS. Para isso, estamos buscando alinhar fiscalização com educação e intervenções estruturais das vias”, destacou.

AV. SAUL ELKIND

O levantamento traz também um ranking das ruas e avenidas mais violentas na cidade. A avenida Saul Elkind, na região norte, ocupa o primeiro lugar com quatro ocorrências em 2020. Em dezembro, moradores se uniram em uma blitz educativa em memória de Maria Luiza de Mello Cordeiro.

Ela tinha 77 anos quando foi atingida por um veículo ao atravessar na faixa de pedestres na avenida Saul Elkind, na altura do Conjunto Parigot de Souza 2. O acidente aconteceu no dia 13 de setembro de 2020.

Imagem ilustrativa da imagem Acidentes de trânsito em Londrina provocaram 67 mortes em 2020
| Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress

Os moradores distribuíram panfletos sobre respeito à sinalização e aguardam do poder público, uma intervenção para prevenir outros acidentes, em especial, uma faixa elevada. Na ocasião, o sargento Luis André Luz, da 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, destacou que a maior infração na via é o desrespeito ao limite de velocidade, que é de 50 km/h.

A comoção no bairro pela morte de Cordeiro também se deu pelo fato do atropelamento ter ocorrido na faixa de pedestres. Dalbem diz que já foi solicitada a construção de uma travessia elevada no local e que agora a efetivação depende do cronograma da Secretaria de Obras e Pavimentação.

Seguida da Saul Elkind, os locais com mais ocorrências no trânsito são as avenidas Dez de Dezembro (3) e Tiradentes (2). De acordo com Dalbem, esses trechos urbanos também são alvos de solicitações da população junto à CMTU em relação ao reforço na sinalização.

Ele acrescenta que as ações educativas da CMTU em 2021 continuarão com foco nos pedestres, com o objetivo de reduzir o número de atropelamentos e consequentemente, os abusos de velocidade. No ano passado, Londrina registrou 207 atropelamentos, provocando a morte de 19 pessoas.

“Estamos preocupados porque em 98% destas ocorrências, os pedestres estavam atravessando fora da faixa. Nosso objetivo é alertá-los para que parem na faixa, olhem, sinalizem e esperem os motoristas pararem para atravessar com segurança. Isso também ajuda na redução de velocidade porque para o motorista parar na faixa, ele deve manter uma velocidade média de 50 km/h. É uma maneira de mantermos uma velocidade reduzida na cidade de forma inteligente, dando preferência aos pedestres”, pontuou.

INFRAÇÕES

Outro dado que o estudo da CMTU traz é sobre as autuações emitidas no município no comparativo de 2019 e 2020. No ano passado foram 126.357 multas geradas, sendo 84.852 registradas pelos agentes de trânsito e a maioria de natureza grave.

As faltas gravíssimas somaram 32.794 casos e a maior imprudência continua sendo o desrespeito à velocidade máxima permitida das vias. Exceder a velocidade em até 20% foi o comportamento mais cometidos pelos condutores, resultando em mais de 25 mil registros.

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