Acidentes de trabalho são debatidos em Londrina
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sábado, 06 de agosto de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A falta de informação do trabalhador associada à precariedade das estruturas de trabalho são responsáveis por boa parte dos acidentes de serviço registrados no País nos últimos 10 anos. Doenças como lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/DORT), aparecem como principais causadoras de afastamentos. Esses assuntos foram discutidos ontem em Londrina durante a Conferência Macro Regional Norte de Saúde do Trabalhador, que teve por tema ''Trabalhar sim, adoecer não''.
O evento definiu propostas e prioridades da saúde do trabalhador, que serão levadas para as conferências estadual e nacional que acontecem nos meses de outubro e novembro, respectivamente. Participaram do encontro quase 200 pessoas, entre delegados e representantes dos conselhos municipais de saúde de municípios da região de Londrina, Apucarana, Cornélio Procópio e Jacarezinho.
Segundo Cezar Benoliel, que dirige o Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest), a prioridade é a criação de 10 centros de referência nas principais cidades do Estado. Em Londrina e Curitiba esses locais já funcionam desde o ano passado e auxiliam no orientação e acompanhamento de trabalhadores acidentados. O diretor do Cest avalia que a falta de informação e capacitação dos trabalhadores formais e informais contribui para o elevado número de acidentes registrados no País. Ele não quis apontar números de ocorrências, pois não considera confiáveis as estatísticas existentes. ''Os atendimentos médicos e afastamentos são responsáveis por um gasto de R$ 30 bilhões/ano'' presume. Benoliel criticou ainda que ''falta prioridade política para as questões do trabalho''.
O médico Danilo Fernandes Costa, da Delegacia do Trabalho do Estado de São Paulo, que participou do evento, disse que os números da saúde do trabalho no País, são ''mal tratados e manipulados''. ''É preciso estabelecer as questões do trabalho como prioridade'', afirmou. Entre os sinais visíveis dessa ''manipulação'', o médico citou o fato de os afastamentos só serem informados ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) depois de 15 dias. ''Esse tempo faz com que caiam os índices de ocorrência, pois só os casos mais graves é que acabam sendo contabilizados''.
A coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Londrina, Mara Ferreira Ribeiro, destacou o acolhimento que é prestado a todo empregado. Um trabalho de esclarecimento está sendo feito também junto às Unidades Básicas de Saúde para melhorar as notificações dessas ocorrências. No período de abril a dezembro do ano passado foram registrados mil acidentes de trabalho (no local ou no trajeto) em Londrina. Desse total, 55% correspondem a trabalhadores formais. Além do comunicado oficial (CAT), os postos de saúde preenchem uma notificação que aponta os números do município e que irão orientar também outras ações preventivas. O Centro possui convênio de atendimento de fisioterapia com uma universidade da cidade.


