Acidentes com ônibus já são 646 no ano
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sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Arquivo FolhaAcidentes como o de terça-feira no bairro Cajuru, com 30 feridos, preocupam porque em atingem um grande número de pessoasCento e vinte pessoas já foram atropeladas por ônibus este ano em Curitiba. De janeiro a outubro, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) registrou 646 acidentes envolvendo ônibus - uma média de 64 por mês. Os números são considerados preocupantes pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Nelson Carnieri. Acidentes sempre preocupam, mas é preciso lembrar que, quando envolvem ônibus, geralmente atingem um número grande de pessoas, diz.
Os campeões de acidentes são os ônibus convencionais, que dividem as ruas com carros, motocicletas e outros veículos. Foram 240 acidentes até outubro, dos quais 129 com vítimas e 45 atropelamentos. Mas o número também é alto entre os expresso e bi-articulado - ônibus que circulam em canaletas exclusivas.
De janeiro a outubro, foram 102 acidentes com ônibus expressos, dos quais 28 atropelamentos e 54 com vítimas. Os bi-articulados se envolveram em nada menos que 86 acidentes, dos quais 21 foram atropelamentos e 45 deixaram vítimas entre os passageiros ou motoristas.
O comandante do BPTran diz que nem sempre a culpa é dos motoristas dos ônibus. Mesmo nas canaletas, são comuns acidentes envolvendo automóveis, que insistem em avançar em área proibida. Há um mês, 16 passageiros ficaram feridos quando um Fusca fez uma conversão irregular na Avenida Sete de Setembro, provocando o choque entre dois bi-articulados.
Mas também há muita distração, imperícia e desrespeito às normas por parte dos motoristas de ônibus, diz Carnieri. Eles colocam em risco a vida de dezenas de pessoas. Esta semana, um bi-articulado bateu na traseira de outro na Avenida Afonso Camargo. Resultado: 30 passageiros feridos.
Alguns motoristas fazem verdadeiras loucuras: dirigem em alta velocidade, freiam bruscamente e furam sinal toda hora, diz a comerciária Sandra Bruni. Há um ano, ela fraturou o pé ao cair dentro de um ônibus que passou direto por uma lombada.
Segundo a Urbs, não é por falta de treinamento que os acidentes acontecem. Quando são admitidos, os motoristas fazem cursos de direção defensiva, relações humanas e primeiros socorros. Além disso, não podem chegar aos pontos finais mais que cinco minutos adiantados em relação ao horário previsto. A velocidade é controlada por tacógrafos (cuja leitura é feita por amostragem). Os 314 Ligeirinhos têm redutores de velocidade, que impedem aceleração acima de 60 quilômetros por hora.


