Acidentes com fuga viram rotina em Londrina
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terça-feira, 03 de outubro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Acidentes de trânsito são registrados diariamente numa grande cidade como Londrina. Mas o que tem chamado a atenção ultimamente é que em muitos casos os autores dos acidentes, desviando-se das exigências legais, não permanecem nos locais dos fatos e fogem sem prestar socorro às vítimas, algumas delas fatais. Apenas entre 7 de setembro e ontem, ocorreram pelo menos três situações desse tipo.
A última aconteceu na noite de anteontem, na rua Antônio Marcelino de Oliveira, no Jardim São Jorge (Zona Norte). Segundo a Companhia de Trânsito da Polícia Militar, Maria Lúcia Batista de Miranda, 40 anos, caminhava pela via quando foi atropelada por um Logus bordô, com placas de Curitiba, e morreu no local. O condutor, cuja identidade não foi divulgada, teria fugido sem prestar socorro à vítima. O carro foi localizado hoje pela manhã abandonado na mesma região do atropelamento.
O delegado de Trânsito, Valdir Fernandes, adiantou que o condutor deverá responder por omissão de socorro e homicídio culposo - não intencional. Questionado sobre os possíveis motivos que levariam os condutores envolvidos em acidentes a evadir-se do local, em vez de esperar a polícia, o delegado foi sincero: ''Não sei o que acontece na hora de um acidente. Parece que a pessoa tem medo (de ser agredido) mas há casos em que não havia esse risco. No caso do Logus, vamos ter que apurar o que aconteceu''.
O delegado lembrou que fugir sem acionar socorro à vítima agrava a situação do condutor perante à Justiça. ''Todo mundo tem um celular hoje em dia. Então, pode ligar para a polícia, dar seus dados e informar que não ficou no local por algum motivo'', apontou. Fernandes destacou, porém, que esse motivo terá que ser provado na esfera criminal.
Fernandes comentou que não vê a sensação de impunidade em relação aos acidentes de trânsito com vítima como força motora das fugas. ''Acho que não existe essa noção justamente porque as pessoas fogem. Se achassem que o crime de trânsito fosse de menor importância, (os autores) ficariam no local'', observou.
Para o encarregado do plantão de acidentes da Companhia de Trânsito, sargento Edivaldo Lopes, existem diversos fatores que podem explicar as fugas de motoristas envolvidos em acidentes. Além do medo das ameaças e de linxamentos, muitos condutores optam por fugir por estarem embriagados ou drogados e outros por acreditarem que estão ''protegidos'' pela impunidade. ''As pessoas acham que nada vai acontecer com elas'', lamentou o sargento. Ele citou que a falta de humanidade com a vítima chega a tal ponto que muitos acidentados acabam sendo furtados por pessoas que passam pelo local antes da chegada da polícia.
Mas, de acordo com Lopes, as brechas na lei também concorrem para aumentar os casos de omissão de socorro e fuga em muitos casos de acidentes. ''A punição vai haver. Porém, isso vai acontecer ao final de um processo judicial que não se sabe quando tempo vai demorar'', opinou o sargento.


