Arapongas O relevo plano e o clima agradável colocam Arapongas (37 km a oeste de Londrina) como um dos municípios do Paraná com maior média de bicicletas por habitante. Segundo estimativa do Corpo de Bombeiros, existem, pelo menos, 50 mil bicicletas na cidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população é de 91.858 habitantes, ou seja, quase 55% dos cidadãos possuem uma bicicleta.
Esse elevado número, associado à imprudência e falta de atenção de ciclistas e condutores de veículos, resulta num preocupante índice de acidentes. Dados levantados pela prefeitura, em parceria com Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, revelam que, em 2002, foram registrados 244 acidentes com envolvimento de bicicletas. Dentre os acidentes mais comuns, estão as colisões com automóveis, que ano passado chegou a 69 casos.
Apesar de algumas medidas que vêm sendo tomadas no sentido de reduzir a quantidade de acidentes, os números continuam crescendo em 2003. Segundo os bombeiros, até o mês de junho, aconteceram 151 colisões envolvendo ciclistas. Levando-se em consideração as estatísticas de meses anteriores, é bem possível que, entre julho e agosto, outros 50 ciclistas tenham se envolvido em acidentes, o que elevaria o número para 200, faltando quatro meses para o término do ano.
Para o major do Corpo de Bombeiros, Dario Natan Bezerra, que deixou Arapongas há poucos dias, após cinco anos trabalhando na cidade, são vários os fatores que resultam no elevado índice de acidentes envolvendo ciclistas. Ele esclareceu que um dos fatores é a grande quantidade de veículos de outras cidades que atravessam o perímetro urbano, em decorrência da falta de um anel suburbano, que desviaria o tráfego pesado da área central. Segundo ele, dentre os veículos envolvidos em acidentes com ciclistas, 28% possuem placas de outras cidades, sem contar aqueles que fogem do local.
O comandante do CB, capitão Arnaldo Sebastião, disse que, mesmo estando há poucos dias na cidade, percebeu que a pequena visibilidade das bicicletas e o fato de alguns ciclistas conduzirem o veículo de forma sinuosa são preponderantes para os acidentes. Ele acredita que a competitividade com os veículos, são cerca de 32 mil na cidade, também deve ser levada em consideração. ''Nossa ambulância tem um trabalho extra com as bicicletas'', ressaltou.
O tenente da Polícia Militar, Dejair Budkevitz, afirmou que o principal problema, da mesma forma que em outros tipos de acidente, é a imprudência dos condutores. Ele frisou que os ciclistas precisam se conscientizar da necessidade de trafegar em locais seguros, como as ciclovias, andar sempre em fila indiana, e não em grupos como fazem normalmente, além de manter suas bicicletas equipadas com instrumentos de segurança, como faixas refletivas.
Budkevitz acrescentou que muitos acidentes ocorrem no momento que as pessoas estão retornando para casa, após o trabalho. Ele entende que pelo fato de estarem cansados, alguns ciclistas tornam-se displicentes com as normas de segurança. ''O excesso de velocidade dos carros também é preocupante'', completou.
A assistente administrativo, Vilmara Moraes Freire, 33 anos, utiliza diariamente sua bicicleta para ir trabalhar. Na sua opinião, os motoristas não respeitam os ciclistas como deveriam. Para ela, um reforço na sinalização seria fundamental para reduzir a quantidade de acidentes. ''Um pouco mais de atenção poderia evitar muitos acidentes'', observou.

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