Na sala de atendimento do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o vira-lata Marrom, aguardava o veterinário para ''aliviar o sofrimento'' causado por espinhos de ouriço-do-mato, animal semelhante ao porco-espinho.
''Ele vive solto por aí e de repente apareceu com esses espinhos. Ele ficou quietinho no canto, pois acho que doeu bastante. Por isso, o trouxe rapidamente para o hospital'', conta Jorge Jacinto da Silva, de 47 anos, cuidador de Marrom.
Com experiência de três anos no HV, o veterinário e professor da UEL Fernando De Biasi afirma que é muito comum os casos de animais que chegam no pronto-socorro após sofrerem acidentes. ''Aqueles que vivem em chácaras e sítios costumam ser atacados por outros bichos como o que aconteceu com ele (Marrom)'', afirma Biasi, ao relatar também que frequentemente surgem cães atacados por serpentes.
''Os sinais variam de acordo com a espécie de serpente, mas geralmente os sinais são de prostação, sinais neurológicos e inchaço. Poderia dizer que são até similares aos de envenenamento'', diz.
A ingestão de veneno é outro caso que envolve os animais de estimação. Segundo o veterinário, muitas vezes isso ocorre dentro de casa e com veneno para ratos. ''Existem casos em que o proprietário vê o cão comendo o veneno e já o traz imediatamente. Nessa situação, conseguimos fazer uma lavagem gástrica. Mas isso é raro. Geralmente as pessoas trazem o animal quando ele já está com sinal clínico bem avançado e, dependendo do caso, o animal pode até correr risco de morte'', explica Biasi, ao ressaltar também que o tratamento depende muito da quantidade de veneno ingerida e da rapidez do atendimento veterinário.
Os sinais clássicos são vômitos, salivação, com ou sem diarreia, porém, todos de forma aguda. Mas vale lembrar também que o diagnóstico exato só poderá ser feito por profissionais.
De acordo com Biasi, se o animal costuma ficar solto, nas ruas, o proprietário não saberá diferenciar, só com base nos sintomas, se o bicho sofreu um trauma ou um envenenamento. ''Tem que procurar um profissional para a realização de exames específicos e tratamento adequado'', completa.
Mas na rotina do hospital, o veterinário explica que o número de atendimentos a animais atacados por serpentes ou vítimas de envenenamento é bem menor do que os que sofrem traumas. Segundo ele, os mais comuns são os atropelamentos e brigas, que representam uma média de 20 atendimentos a cada semana.
''Se houver um atropelamento e o animal estiver sangrando, pegue uma toalha limpa, enrole-o e o coloque em uma caixa, com uma superfície mais rígida e leve imediatamente para atendimento veterinário'', orienta.
Em caso de acidente envolvendo o ser humano, como por exemplo, um ataque de cão ou gato, é preciso ficar atento à ferida. ''Quando uma pessoa é mordida por um cão, a maior preocupação é com a raiva. No Paraná, a raiva canina é controlada, mas a orientação em uma situação dessa é que a pessoa procure atendimento médico e que o cão fique em observação pelo veterinário'', explica.
Já entre os gatos, quando a pessoa leva um arranhão ou mordida, além da raiva, o perigo está na infecção da ferida. ''É preciso tomar cuidado, pois tem casos de ferimentos que infeccionam mais gravemente, podendo até a necrosar o local. O atendimento médico nesse caso também é indispensável'', diz ele, ao ressaltar a importância dos proprietários evitarem o acesso livre dos animais à rua.
Serviço
O Hospital Veterinário da UEL atende 24 horas. Mais informações: (43) 3371-4269

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