Acidentes causaram prejuízo de R$ 25 bi em 2006
A evolução das estatísticas de acidentes de trânsito vem acompanhando o crescimento da velocidade dos veículos nos últimos anos. Em Londrina, de 1 de janeiro a 22 de agosto, a Polícia Militar registrou 3.697 acidentes, com 1.829 pessoas feridas e 52 mortos. No mesmo período, o Siate atendeu 298 pedestres atropelados. O crescimento dos acidentes com moto ficou ainda mais evidente na última semana - com 8 motoqueiros mortos e 53 feridos entre os dias 16 e 21 de agosto.
Outro número crescente no trânsito se refere aos gastos com saúde. A permanência de um acidentado na UTI do Hospital Universitário de Londrina custa R$ 1.350 por dia. Dados do Instituto de Planejamento Econômico Aplicado do Ministério do Planejamento (Ipea) indicam que o gasto para o sistema de saúde gerado por uma morte no trânsito aproxima-se de R$ 270 mil, e a recuperação de um ferido de grau médio não sai por menos de R$ 36 mil. Outra pesquisa do Ipea mostra que o prejuízo dos acidentes para o País foi de R$ 25 bilhões em 2006, incluindo gastos previdenciários e perda da capacidade produtiva dos mortos e lesionados graves.
O cruzamento dos dados nacionais com o relatório de julho dos acidentes em Londrina (8 mortos e 227 feridos), descartando 70% dos lesionados de grau leve, mostra que o custo dos acidentes para a saúde local beirou os R$ 6 milhões - um custo médio de R$ 70 milhões por ano.
O diretor da Santa Casa, Fahd Hadad, acredita que o investimento de parte desses recursos em prevenção e educação no trânsito traria benefícios imensuráveis para a sociedade.
''Num hospital de alta complexidade boa parte dos recursos disponíveis, que são escassos, vão para os acidentados. Isso significa gastos imensos com a doença mais evitável de todas e gera uma disputa por vagas com doenças que não podem ser prevenidas, como câncer e outros males crônicos e degenerativos'', explicou. ''Precisamos de campanhas educacionais porque o veículo é uma arma na mão de quem não sabe se controlar''.
Segundo Hadad, o aumento das mortes por acidente de trânsito nas cidades de médio porte, nos últimos 15 anos, foi de 70%. ''Isso deixa a gente triste, o hospital faz o que pode mas em muitos casos não há cura''.
O diretor da Santa Casa, que é médico neurologista, afirmou que se cada motorista pudesse ver como fica o cérebro após um acidente, passaria a se controlar. ''A massa encefálica sofre hemorragia, fica inchada, destruída. Quem visse uma coisa dessas, nunca mais cometeria excessos ao volante''.(F.C.)





