O acidente com um ultraleve ocorrido no último dia 8, em Londrina, matando duas pessoas, reacendeu a preocupação com a segurança e fiscalização com esse tipo de aparelho. O ultraleve pilotado por Flávio Tadeu Souza Godoy, 49 anos, que trazia como passageiro Willy Von Raupp, de 28 anos, teria sido montado e decolou do Clube de Aviação Experimental do Paraná, localizado em Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina), caindo logo depois no Thermas de Londrina. Os dois foram levados para a Santa Casa de Londrina, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.
Como já havia feito há cinco anos, o piloto desportista Antonio Olímpio Luchetti voltou a acusar o Clube de Aviação Experimental do Paraná de várias irregularidades, sendo a principal delas a ‘‘manutenção indevida de motores feitas por técnicos não-habilitados’’. Ele denuncia também que pilotos que frequentam o lugar, ‘‘muitas vezes inabilitados e alcoolizados’’, fazem manobras perigosas em aparelhos sem registro no Departamento de Aviação Civil (DAC).
Segundo Luchetti, essas denúncias já foram enviadas, por meio de carta, há cinco anos para o Tenente Coronel Antonio Airton Lemos Cirino, comandante geral do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-5), em Canoas (RS).
Luchetti contou que em 1995, um piloto do clube teria pousado com um ultraleve sobre uma carreta em movimento na BR-369. Um outro membro do clube teria feito um vôo perigoso sobre o Autódromo de Londrina, chegando mesmo a interromper uma prova automobilística, o que levou à abertura de inquérito policial. Olímpio também acusou o clube de esconder destroços de ultraleves danificados por supostos acidentes e realizar vôos panorâmicos comercialmente, contrariando assim as normas do DAC.
Na carta ao Serac-5 Olímpio denuncia também o clube por permitir vôos biplace (piloto e passageiro), sendo que, segundo ele, a maioria dos pilotos só tem habilitação para vôo monoplace (uma só pessoa). ‘‘As irregularidades continuam, apesar do funcionamento do clube’’, afirmou Luchetti.
Olímpio Luchetti foi expulso do clube há quatro anos, segundo ele porque criticava as normas de segurança. ‘‘Eles não gostam de mim porque eu apontava as anormalidades. Eu alertei as autoridades da Aeronáutica e isso os associados não puderam admitir’’, completou.
No momento, Olímpio Luchetti tem um ultraleve novo da marca Fox. O aparelho está desmontado na garagem de sua casa. Ele diz que o ultraleve, que custou cerca de R$ 25 mil, é para seu filho, que não demonstra muito interesse pelo esporte. Olímpio explica que somente pode comprar um ultraleve pessoas habilitadas por escolas homologadas pelo DAC. O brevê para pilotos desportistas tem um prazo de validade limitado e só é renovado depois de exame médico.

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