Acidente pode gerar 'avalanche' de ações
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O desastre ecológico causado pela Petrobras em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, vai gerar uma avalanche de ações indenizatórias contra a empresa. Prefeitos de cidades cortadas pelo rio Iguaçu, para onde vazou a maior parte do óleo, estudam eventuais medidas judiciais para exigir um ressarcimento da estatal. O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Sebastião Sérgio Steptjuk, que é prefeito do município de General Carneiro, defende que as cidades prejudicadas pelo acidente busquem uma compensação na Justiça.
O governo do Estado adota o mesmo posicionamento. O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andreguetto, antecipa que depois que os estragos forem dimensionados, o valor da multa aplicada à Petrobras pode superar os R$ 50 milhões já anunciados anteontem. O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PTB), vai mediar no início da próxima semana em Curitiba um encontro dos prefeitos que administram cidades banhadas pelo Iguaçu. Em pauta, está a discussão de possíveis ações contra a empresa.
Os prefeitos não podem ficar calados diante de mais esta violência contra o Paraná. Vamos sugerir a todos os municípios prejudicados com o vazamento que exijam uma indenização, declara o presidente da AMP, Sebastião Sérgio Steptjuk. A promotora Estela Maria Flores Floriani Burda, da 1ª Promotoria de Araucária, diz que representantes de municípios, proprietários de terras e Organizações Não-Governamentais (ONGs) podem acionar a Petrobras na Justiça. Estela observa que o Ministério Público das comarcas atingidas pelo desastre também devem processar a estatal. Onde vai causando dano, as promotorias devem tomar as providências.
Depois do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, ter dirigido pesadas críticas contra a direção da Petrobras, foi a vez de José Antônio Andreguetto, do IAP, acusar a empresa. A Petrobras foi negligente no episódio, repetiu Andreguetto o que Sarney Filho já tinha dito em Curitiba na segunda-feira. O IAP ainda levou uma alfinetada do prefeito Sebastião Steptjuk, que preside a associação dos municípios do Estado. Ele pede uma interferência mais severa do instituto no caso. É curioso que certos organismos estejam preocupados em evitar o corte de uma árvore e, no entanto, deixem de lado coisas muito graves como esta.


