Dois meses depois do acidente na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a situação do Rio Iguaçu, poluído com 4 milhões de litros de óleo, ainda preocupa ambientalistas. O engenheiro agrônomo José Paulo Loureiro, da Associação de Meio Ambiente de Araucária (Amar), teme que o aumento do nível do rio, com a chuva que começou na semana passada e durou sete dias, prejudique a limpeza da área atingida pelo derramamento de petróleo.
‘‘O óleo retido em galhos e plantas pode ter entrado em contato com a água’’, disse. A assessoria de imprensa da Repar tranquiliza os ambientalistas, informando que a chuva não atrapalhou o trabalho. Pelo contrário, garante que ajudou a soltar o óleo preso nas superfícies.
Mesmo passado o susto inicial, a recuperação da área atingida pelo vazamento ainda exige a mão-de-obra de 450 técnicos, que atuam atendendo a comunidade e retirando o óleo que resta nas plantas na margem do rio. A limpeza do ‘‘ponto zero’’ – área da Repar onde a maior parte da substância vazada ficou concentrada – ficou suspensa temporariamente pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) desde a semana passada. O instituto irá estudar a técnica que vinha sendo empregada desde o início do mês. Técnicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estavam utilizando fungos e bactérias na limpeza da área.
A refinaria tem o compromisso com IAP e com o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PR) de preparar uma série de laudos sobre danos ambientais e projetos de recuperação do meio ambiente. A Repar informou ao Crea que fará todos os estudos exigidos, mesmo não tendo comparecido a nenhuma das duas reuniões da comissão mista formada pelo conselho. A comissão foi criada no início do mês com o objetivo de levantar informações sobre causas e consequências do acidente.
O IAP continua motinorando a região do Iguaçu. Amostras de água e solo são colhidas com frequência. A análise do solo, da fauna e da flora – sujeitos a apresentarem consequências do vazamento a longo prazo – deve levar cinco anos para ser concluída.

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