Acidente na PR-445 mata três pessoas
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Lucilia Okamura 
Três pessoas morreram em um acidente que aconteceu ontem de madrugada, na PR-445, no trevo de acesso ao Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Leandro Carnhelutti, 27 anos, Carlos Alberto da Silva, 34 anos, e João Carlos Donadio, 23 anos, funcionários do Hiper Muffato (Londrina), estavam em um Fiat Palio, que colidiu com um ônibus.
Segundo Edson Luis Burgo, primo de João Carlos, os três estariam trabalhando em Londrina e teriam saído por volta da meia-noite. Como já estava tarde, os dois (Leandro e Carlos Alberto) vieram trazer o João Carlos para casa, afirmou. João Carlos era solteiro e morava com a família no Jardim Ana Rosa.
O Fiat Palio, placa AAC 7932, de Foz do Iguaçu, conduzido por Leandro, trafegava pela PR-445 e, após ultrapassar o ônibus placa HU 5922, de São Paulo, entrou na marginal para poder cruzar a rodovia, segundo o perito Luiz Carlos Kovacs, do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina. Ele explicou que o motorista do Fiat não parou antes de cruzar a rodovia e acabou batendo no ônibus que tinha acabado de ultrapassar.
Ele cortou a frente do ônibus, achando que dava tempo de cruzar. Houve imprudência do condutor e desatenção à sinalização, afirmou. Ele ressaltou ainda que o motorista do ônibus não teve culpa no acidente. Os três morreram no local.
João Carlos foi sepultado ontem, às 17h30, no cemitério municipal de Cambé. Os corpos de Carlos Alberto e Leandro foram levados para Foz do Iguaçu e Cascavel, respectivamente, onde eles moravam. O ônibus, que pertence a Tatur Agência de Viagens e Turismo, foi liberado. O Fiat foi recolhido no pátio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), de Londrina.
O primo de João Carlos afirmou que vários acidentes aconteceram naquele trecho e culpou a má sinalização. Alguns moradores e pessoas que trabalham nas proximidades também fazem a mesma reclamação. Tinham que construir uma rotatória, colocar quebra-molas ou alguma outra coisa que fizesse com que os carros andassem mais devagar, afirmou Erivaldo da Silva, que trabalha como chapa - pessoa que auxilia a descarregar caminhões.
Antonio Carlos Cordeiro, morador do Jardim Ana Rosa, ressaltou que a situação é difícil, principalmente para os pedestres que querem atravessar a rodovia. O perito do Instituto, afirma, no entanto, que o local é bem sinalizado. O IC tem dez dias para elaborar o laudo do acidente e encaminhar à Delegacia de Polícia Civil de Cambé, onde correrá o inquérito que apura o caso.
O perito criticou o atendimento realizado pelo pessoal da Econorte (concessionária responsável por aquele trecho) que foi até o local do acidente. Luiz Carlos informou que os funcionários mexeram nos cadáveres, prejudicando a perícia. Segundo ele, não é a primeira vez que este problema acontece.
O gerente de operações da Econorte, Wilson Antônio, contestou as afirmações do perito do Instituto de Criminalística. Quando chegamos ao local o Siate estava fazendo o atendimento e tomando as providências, relatou. Segundo ele, o único momento em que os funcionários da Econorte mexeram nos corpos foi quando o perito pediu para que fossem colocados nas urnas. Em hipótese alguma mexemos nos cadáveres, salvo quando os peritos e bombeiros nos solicitam. Temos orientação expressa para isso, ressaltou. Wilson Antônio acrescentou que ele mesmo esteve no local do acidente, depois de ter passado na delegacia para avisar a polícia.


