Quando saiu de casa, em Monteiro Lobato, no interior de São Paulo, naquele dia 2 de fevereiro de 1982, o comerciante Carmo Inácio Rosa, hoje com 58 anos, não fazia idéia que um acidente automobilístico o marcaria para sempre. Na batida, o irmão Osvaldo, na época com 35 anos, que dirigia o veículo, morreu e ele sofreu queimaduras de terceiro grau em 70% do corpo. Só não perdeu a vida porque foi lançado para fora do Maverick preto que acabara de comprar.
No hospital, Carmo fez uma promessa. Se conseguisse se curar passaria um ano de sua vida pregando o Evangelho pelo País, como um peregrino. Deixou de lado a vaidade que tinha. ''Na época do acidente, eu fazia halterofilismo e tinha 80 quilos só de músculos. Não gostava nem de ter espinhas no rosto''. lembra. ''Não estava nem aí para Deus, achava que nunca tinha precisado Dele'', completa.
As queimaduras o deixaram imóvel numa cama de hospital por mais de um ano. Quando retomou os movimentos, mais de dois anos após se acidentar, ficou muito revoltado. Depois de passar por dezenas de operações de reconstrução do tecido queimado, Carmo compreendeu que sua sobrevivência tinha sido milagrosa.
Há nove meses, decidiu cumprir a promessa feita por ter sobrevivido. Desde então, já passou por dez estados brasileiros carregando nas costas uma mochila com mais de 23 quilos de peso. Ontem pela manhã, ele chegou à Londrina vindo da região de Telêmaco Borba. ''Vou para onde meu coração pedir'', afirma. Pelos lugares que passa, ele conta sua experiência em escolas, universidades, entidades e grupos de casais.
Para seguir pregando o Evangelho, Carmo revela que a melhor tática é ''chegar malandramente nas pessoas''. ''Quando estou perto de uma casa e percebo que tem gente e estou com a garrafinha cheia, jogo a água fora e me aproximo.'' A curiosidade das pessoas em saber o que lhe provocou tantas marcas pelo corpo se encarrega do resto. Ele diz que começa a falar sobre o acidente e quando o ouvinte percebe, a conversa já se arrasta por horas. E assim ele segue cumprindo sua promessa. ''Hoje, tenho até mais coisas do que eu tinha. Eu descobri o verdadeiro sentido da vida'', comemora.

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