Dois dekasseguis da região de Londrina morreram em um acidente automobilístico ocorrido no final de semana, no Japão. Os corpos foram cremados. Parentes de Edney Kubota, 24 anos, de Londrina, e de Takeshi Shimomura Júnior, 20 anos, de Cambé, foram até a cidade de Shizuoka, onde aconteceu o acidente, para trazer as cinzas.
O acidente, segundo parentes de Edney Kubota, aconteceu na madrugada de sábado, dia 30 - horário do Japão - em uma rodovia em Shizuoka, onde o veículo em que estavam os quatro dekasseguis - também Alcides Costa, 31 anos, e Tamashiro Massao, 26 (a Folha não conseguiu levantar maiores informações sobre eles) - bateu em um muro de concreto. ‘‘Eles tinham saído do trabalho, foram jantar em uma loja brasileira e depois ao boliche. Mas chegando lá, viram que estava fechado e resolveram voltar para casa. Foi quando aconteceu o acidente’’, relata Edna Kubota, irmã de Edney.
As informações sobre o caso foram passadas a Edna pelo marido, Soiti Oyama, que está no Japão e tomou as primeiras providências após o acidente. Segundo ela, as pessoas que socorreram as vítimas disseram que, antes de morrer, Edney chamou pela mãe.
Edna lembra que, quando a família recebeu a notícia da morte de Edney, não quis acreditar. ‘‘A minha mãe ficou muito abalada e o meu pai, que nunca foi de chorar, chorou. Eles não se conformavam.’’ No domingo, dia 31, o pai de Edney embarcou para o Japão para providenciar a cremação e o transporte das cinzas para Londrina.
A família de Edney diz estar muito revoltada com a empreiteira que contratou o jovem e que não tomou nenhuma providência após a morte. ‘‘Eles sequer mandaram flores durante o velório’’, diz Edna. Além disso, ela reclama que representantes da empresa ficavam telefonando para o seu marido para perguntar quando o apartamento de Edney poderia ser desocupado. ‘‘Não tiveram nenhuma consideração’’, afirma. Por outro lado, ela agradece os dekasseguis que ajudaram o marido. ‘‘Tinha brasileiro que nem conhecia meu irmão, mas foi dar apoio.’’
Segundo a irmã do jovem, ele já havia escapado de um incêndio há cerca de três anos, na cidade de Nagoya. Edney e um colega de trabalho estavam dormindo e acordaram com fogo e fumaça já invadindo o apartamento. Edna conta que ele só ficou com a roupa do corpo e conseguiu salvar o passaporte e documentos pessoais.
O jovem estava trabalhando no Japão há três anos e pretendia voltar para Londrina em março. ‘‘Ele foi juntar dinheiro para estudar e cuidar do pai, que estava doente’’, conta a irmã, que também estava no Japão como dekassegui e voltou para casa, no final de janeiro, com as duas filhas. ‘‘Ele ia viajar comigo, mas disse que queria trabalhar mais um mês para juntar mais dinheiro’’, lembra.
Tanto os pais quanto a irmã não viam Edney há três anos. Apesar de também estar morando no Japão, Edna conta que não tinha a oportunidade de ver o irmão porque residia em Kobe, cidade que fica longe de Shizuoka. ‘‘Mas a gente sempre se comunicava por cartas e por telefone.’’
A última vez que a mãe do jovem, Hirako, falou com Edney foi uma semana antes do acidente. ‘‘Ele me telefonou, disse para eu me cuidar e que estava ansioso para voltar para casa’’, lembra. Segundo ela, Edney era um filho muito bom, carinhoso e se sentia responsável pelo sustento dos pais.
De família humilde, Edney abandonou os estudos no 2º grau por falta de recursos. ‘‘O sonho dele era voltar, terminar o 2º grau e fazer faculdade’’, afirma a irmã. ‘‘Ele era muito inteligente e estudioso’’, acrescenta a mãe.
Takeshi Shimomura Júnior estava há três anos e meio na cidade de Shizuoka, estado de Nagóia, no Japão. Junto com ele moravam também dois irmãos mais velhos, Sérgio, 25 anos, e Alexandro Shimomura, 21. O pai, Takeshi Shimomura, chegou a morar nove meses no Japão com os filhos mas acabou voltando para o Brasil.
Segundo Takeo Shimomura, tio de Takeshi, o sobrinho teria sido retirado com vida das ferragens do automóvel, mas acabou morrendo no hospital. Os outros três rapazes morreram no local do acidente. Takeo diz ainda que os irmãos de Takeshi, Sérgio e Alex Shimomura, seguiam em outro automóvel logo atrás do veículo que se acidentou. Era madrugada no Japão, entre duas e três horas de sábado, e todos estavam voltando para casa. Takeshi não foi junto com os irmãos, informa Takeo, para poder mostrar o caminho para o motorista do automóvel em que ele trafegava.
A notícia sobre a morte do sobrinho chegou à família às 16 horas de sexta feira (horário de Brasília). ‘‘Está todo mundo num desespero danado. Takeshi tinha planejado voltar ao Brasil em março’’, conta o tio. A família ainda tentou trazer o corpo do rapaz para ser enterrado em Cambé mas desistiu por causa do alto preço - entre US$ 13 mil e US$ 15 mil, segundo Takeo. O tio comenta que os irmãos não pretendem mais continuar morando e trabalhando no Japão.

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