Acidente em Ponta Grossa provoca dez mortes
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Andréa Bordinhão e Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba Nove funcionários da companhia de telefonia celular Vivo e um motorista de uma van morreram, por volta de 4 horas de ontem, em um acidente de trânsito no quilômetro 499 da BR-376, região de Ponta Grossa. Um vazamento intenso de uma adutora tubulação de água de grande porte da Sanepar, que fica a cerca de oito metros da pista, fez com a encosta do morro deslizasse deixando a pista enlameada. O motorista não conseguiu controlar a van por causa da lama, cruzou o canteiro central, invadiu a outra pista e colidiu de frente com uma carreta. Os funcionários, que trabalhavam em Maringá, estavam voltando de uma festa de confraternização em Curitiba.
As vítimas são Ângela Rossina Godoi, 20 anos; Flávia Morales Graziano, 23; Gilson Ribeiro dos Santos, 36; Marcos César Castanharo, 23; Rodrigo dos Santos, 21; Róbson Fernando da Costa, 24; Leaquim do Prado Júnior, 28; Gendi Miyoshi Júnior, 25; Carlos Eduardo Mantovani da Silva (idade não divulgada); e o motorista Joaquim Ferreira de Melo, 43. Segundo o soldado da Polícia Rodoviária Estadual, Oscar Koslovski, as vítimas morreram no local do acidente. ''A van ficou dividida ao meio.'' O motorista do caminhão, Cícero Teodoro dos Santos, 36 anos, teve apenas arranhões. O trânsito em direção a Curitiba ficou interrompido das 3 às 8 horas.
O gerente de Engenharia e Conservação da Concessionária Rodonorte (responsável pelo trecho), Plínio Vivan Filho, diz que a quantidade e a pressão da água que vazou da adutora foram tantas que a enxurrada de lama passou por cima do muro de contenção entre a pista e o morro. A equipe da Rodonorte havia detectado, segundo ele, um pequeno vazamento no local na quarta-feira, às 21 horas. ''Na mesma noite nossa equipe tentou entrar em contato com a Sanepar por três vezes no telefone de plantão, mas não foi atendida'', justificou.
Ainda de acordo com Vivan Filho, os funcionários da Rodonorte procuraram as empresas da região para questionar sobre o vazamento. ''Em uma das empresas, a cerca de 50 metros do local, foram informados de que lá também havia um pequeno vazamento, mas que a Sanepar já havia sido alertada e se comprometido a verificar o problema.'' Ele não soube precisar o horário da última passagem do carro da concessionária pelo local do acidente, mas garante que ainda não havia nada lá. A Rodonorte afirmou que conseguiu contato com a Sanepar somente às 6h30 e a água foi desligada às 8h30.
A única informação que a Sanepar deu é que ''a diretoria da empresa não tem elementos suficientes para se posicionar''. Em nota, a Vivo lamentou o ocorrido e prometeu dar assistência aos familiares.
Os corpos começaram a chegar por volta das 19 horas na capela do Prever, em frente ao Cemitério Municipal de Maringá. O prefeito João Ivo Caleffi (PT) decretou luto oficial por três dias. As lojas da telefonia na cidade ficaram fechadas ontem. Parte dos familiares se reuniu à tarde em um hotel da cidade para decidir detalhes do velório e sepultamento. Eles preferiram não falar com os jornalistas. O velório do motorista da Van será realizado em Marialva (17 km de Maringá).(Colaborou Marta Medeiros)


