Acidente completa hoje 15 anos sem indenização em Foz
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quinta-feira, 15 de março de 2001
Emerson DiasDe Foz do Iguaçu 
O prazo de 30 dias determinado pela Justiça para que a diretoria da Itaipu Binacional analisasse o pedido de indenização das viúvas de Silvio Américo Sasdelli e Luiz Ojeda, ex-seguranças da usina mortos em um acidente de barco ocorrido no vertedouro, vence hoje, exatamente no dia em que a tragédia completa 15 anos.
Na última audiência realizada mês passado, Iracema Teodoro Souza Sasdelli e Araci Rodrigues Ojeda compareceram ao Fórum de Foz do Iguaçu, acompanhadas da advogada Erian Karina Nenetz, para discutir a indenização que pode chegar a R$ 1,85 milhão, segundo cálculos feitos em juízo. O Departamento Jurídico da hidrelétrica apontou boa possibilidade de ressarcimento às vítimas quanto ao pedido de pensão, mas contestou os valores referentes aos danos morais (pagamento individual de R$ 200 mil para as viúvas, juntamente com seus filhos), considerando-os elevados.
Pela avaliação da advogada de defesa Erian Karina Nenetz, que fez um levantamento dos salários de ambos os funcionários na época em que trabalhavam, a pensão de Iracema pode atingir R$ 1,17 milhão, enquanto que a viúva Araci deve receber R$ 143 mil. Erian explicou que as diferenças ocorrem porque os cálculos são baseados na expectativa de vida (70 anos, segundo a lei) e no salário individual. Sasdelli e Ojedo tinham, respectivamente, 31 e 51 anos quando morreram no acidente de barco há 15 anos, destacou a advogada.
Conforme a ação movida pela família, os ex-funcionários atenderam a ordem do chefe de segurança, que havia determinado o salvamento, mesmo com as comportas abertas, de um pescador que estava ilhado num pedaço de terra entre as turbinas e o vertedouro da Itaipu Binacional. O motor da embarcação parou de funcionar no meio do Rio Paraná e os dois foram levados pela correnteza em direção à queda das canaletas, onde foram mortos pela pressão da água.
A embarcação não teria salva-vidas e âncora. Diante do acidente, a direção da usina ordenou o fechamento das comportas, o que permitiu o salvamento do pescador. Os corpos dos ex-funcionários foram encontrados três dias depois, dilacerados.
A sensibilidade dos diretores quanto ao caso é muito grande, mas é importante salientar que estamos tratando de dinheiro público, disse o advogado da Itaipu, Luciano Eurico de Siqueira Cavalcanti Vera. Ele disse que o vencimento do prazo de 30 dias dados pelos juiz não determina um prazo final para a definição do processo, já que a audiência era de conciliação.
O pedido de danos morais é considerado alto até mesmo pelo juiz da 2ª Vara Cível de Foz, Pericles Bellusci Pereira, que está acompanhando o caso. Cálculos apresentados pela Promotoria de Justiça indicam valores que não ultrapassariam R$ 70 mil. Quero saber quanto vale ficar sem marido e com duas crianças, em frente a um caixão vazio porque não havia nada para enterrar, provocou Araci. Suas filhas tinham seis e três anos de idade na época do acidente.
Caso não haja contraproposta, o processo volta para o juiz, que marcará nova audiência dentro de 20 dias. O acordo, no entanto, pode ser determinado a qualquer momento, desde que haja consenso entre as partes.


