O que seria um simples acidente de trânsito se transformou num grande tumulto ontem à noite, na área central de Londrina. O policial militar, que se identificou como Enivaldo Silva, um dos envolvidos no acidente, teria ameaçado várias pessoas e encostado uma pistola na cabeça do microempresário Paulo Antonio Miranda.
Cesar AugustoDiscussãoPMs tentam acalmar o policial Silva (sem farda)O caso aconteceu por volta das 19 horas, na esquina das ruas Maragogipe e Quintino Bocaiúva. O microempresário, que estava dirigindo um Saveiro, trafegava pela rua Maragogipe. ‘‘Quase na esquina da Rua Quintino, o PM tentou me ultrapassar pela direita e bateu no meu carro’’, relatou. Silva estava conduzindo um Tipo.
‘‘Nem deu tempo de falar nada, ele já saiu do carro com uma pistola na mão e encostou no meu ouvido’’, acrescentou o microempresário. Bastante nervoso, ele afirmou que a pistola estava engatilhada e que, além de ameaças, recebeu vários tapas no rosto. ‘‘Achei que fosse morrer.’’
Cesar AugustoDefesaEnivaldo Silva afirma que estava bastante calmoMiranda garantiu que não esboçou nenhuma reação e ouviu várias pessoas pedindo calma ao policial. ‘‘Foi uma situação bastante humilhante, ele me tratou pior que um bandido.’’ Ele disse que o PM falava que queria receber de qualquer jeito o dinheiro para cobrir o prejuízo com a batida.
Ainda de acordo com a versão do microempresário, o PM estava bastante irritado e acabou ameaçando outras pessoas que estavam no pátio externo de uma choperia existente no local. Esta acusação é confirmada por várias pessoas. ‘‘O policial encostou a arma em um senhor que estava aqui só porque ele pediu calma’’, contou uma mulher, que preferiu não se identificar.
Cesar AugustoMedoMiranda: arma apontada no ouvido e tapas no rostoSilva contou outra versão para o caso. Ele afirmou que o responsável pelo acidente foi o outro motorista e que encostou o carro antes de sair para conversar. O policial disse que estava bastante calmo. ‘‘Mas ele me xingou e disse que ia embora’’, ressaltou. ‘‘Eu disse que era policial e que ia chamar o trânsito para discutir.’’ O PM confirmou que estava armado, mas negou que tenha engatilhado.
Sobre as ameaças que ele teria feito a um outro homem que estava na choperia, ele negou. ‘‘Ele me ofendeu, xingou de preto, macaco e fui lá falar com ele para dizer que não era por aí.’’ A PM foi chamada para atender a ocorrência. O tenente Paulo Siloto acredita que Silva ficou nervoso com a situação. Questionado sobre o risco de acontecer uma tragédia pelo fato dele estar armado, ele observou que ‘‘qualquer pessoa armada no trânsito é um risco’’.
Tenete Siloto contou que, no momento do acidente, o PM estava indo para o 5º Batalhão, onde entraria em serviço. Segundo ele, possivelmente será aberto um procedimento administrativo para apurar o caso. Enquanto o microempresário preenchia o boletim de ocorrência sobre o acidente de trânsito, Silva saiu dirigindo o próprio carro, acompanhado de um outro policial. ‘‘Ele vai para o Batalhão’’, observou o tenente.
Miranda informou que sairia do local do acidente direto para a 10ª Subdivisão Policial de Londrina para registrar queixa contra o PM. Ele teme represálias de Silva. ‘‘Ele disse que vai ficar na minha captura porque quer receber o dinheiro do carro.’’

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